De "50 tons" a "After": cinco fanfics que viraram livros

O Diário da Princesa é um clássico queridinho de muita gente, seja como livro ou filme. Mas você sabia que a autora Meg Cabot começou escrevendo fanfics de Star Wars? Pois é. E ela não foi a única: Cassandra Clare, criadora da franquia Os Instrumentos Mortais, que rendeu adaptações em filme e série, também descobriu seu talento literário se aventurando pelo mundo das fanfictions de Harry Potter. Elas e várias outras escritoras de sucesso iniciaram sua carreira na literatura com histórias baseadas em outros filmes, livros e obras em geral.


Apesar de “fanfic” ter virado uma espécie de gíria nos últimos tempos para “histórias inventadas” e cia, os romances de fãs é coisa séria e tem uma origem de resistência em mulheres repensarem tramas hegemônicas para adequá-las de maneira feminista e se livrarem da perspectiva machista e masculina. Por isso, reunimos a seguir cinco casos de fanfics que ultrapassaram as barreiras da Internet e foram publicadas como livros.

Foto: Divulgação

50 Tons de Cinza, de EL James


É claro que começaríamos com um clássico. A série de livros que virou alvo de piadinhas por permitir que mulheres explorassem sua sexualidade (sim, a história é bastante problemática, mas pense em como literatura erótica para mulheres é um tabu até hoje) era inicialmente uma fanfic de Crepúsculo, com o casal principal Bella e Edward sendo mudado para os personagens “originais” Christian Grey e Anastasia Steele.


O que eu acho mais engraçado de tudo, sendo a twihard que sou, é que esse post do Tumblr está coberto de razão: 50 Tons de Cinza nem é bom assim pela perspectiva de uma fã de Crepúsculo porque a história é bem OOC (out of character). Edward finalmente transa com Bella em Amanhecer e passa uma semana distante da esposa porque a machucou. Imaginá-lo como um sadomasoquista é, no mínimo, hilário. Mas o resto é história: a franquia virou uma série de três livros que, consequentemente, se tornaram três filmes e ganhou até uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Canção Original.

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After, de Anna Todd


Quando a adaptação cinematográfica do primeiro livro After foi lançada em 2019, houve um burburinho (com fundo de piada) devido à história ser inspirada em Harry Styles e ter sido originalmente publicada no Wattpad. O integrante do One Direction se tornou Hardin Scott, e a história narra o progresso de seu relacionamento com Tessa Young.


Se a estreia do filme ano passado e a publicação dos cinco livros da série não são suficientes para provar o sucesso da franquia, então o anúncio do segundo longa, After: Depois da Verdade, confirma isso. Com a adição de Dylan Sprouse, o novo filme estreia em outubro nos Estados Unidos, e não há previsão de lançamento no Brasil ainda. A primeira parte pode ser vista no Prime Video.

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Plastic Jesus, de Poppy Z. Brite


A dupla de integrantes Seth Grealy e Peyton Masters forma o cérebro artístico por trás de The Kydds, uma banda de rock de sucesso. Até que eles se apaixonam e assumem o relacionamento publicamente, sob risco de perderem a carreira por causa da homofobia. Beleza. Agora substitua The Kydds por The Beatles, e Seth e Peyton pela dupla Lennon-McCartney.


Plastic Jesus é inspirado na história de uma das maiores bandas britânicas do mundo, e faz referência a vários momentos da carreira dos garotos. O acervo literário de Poppy costuma militar contra LGBTfobia e lutar por mais visibilidade à comunidade, e não é diferente nesse livro. Além do elemento romance, a história questiona preconceitos e contextualiza a rebelião de Stonewall.

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Sempre, de JM Darhower


Assim como 50 Tons de Cinza, Sempre também começou como uma fanfic de Crepúsculo Bellard e é um universo alternativo bem loonge do mundo de vampiros e lobisomem da obra original. O livro acompanha o desenvolvimento da relação entre Haven Antonelli e Carmine DeMarco. Ela é uma escrava criada no deserto; ele, um rico nascido em família mafiosa. Sempre é narrado pelo casal principal e pelo pai de Carmine, e é muito elogiado em resenhas por revelar mistérios e surpreender leitoras.

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Orgulho e Preconceito e Zumbis, de Seth Grahame-Smith


Algum dia alguém leu a crítica de Jane Austen sobre futilidades dos ricos e sofrimentos das classes baixas e pensou “hum, mas e se tivesse zumbis no meio?!”. Orgulho e Preconceito e Zumbis é basicamente isso, sério. Publicado em 2009, o livro chegou a alcançar o terceiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times e virou um filme de mesmo nome em 2016.


Abaixo de mim colocar a mão no fogo por um livro que não li, mas, ainda que enredo duvidoso possa gerar cautela à primeira vista, as críticas em geral indicam que a transformação do romance de Austen em uma história de ação foi bem feita. A Elizabeth Bennet que tanto conhecemos por ser calculista e cética ganha uma equivalente versada no porte de armas que é obrigada a aturar o orgulhoso Mr. Darcy na hora de combater (sério) zumbis.


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