"Onde Está Meu Coração": 5 reflexões sobre a dependência química

O Globoplay disponibilizou os 10 episódios da série “Onde Está Meu Coração” no início do mês. A produção conta a história da Dra. Amanda (Letícia Colin), uma jovem médica cardiologista da elite paulista que se vicia no crack. Escrita por George Moura e Sergio Goldenberg e dirigida por Luísa Lima, a série traz sensibilidade ao tema e propõe diferentes reflexões sobre a dependência química.


A trama, que se assemelha a narrativa de uma novela em certos momentos, mostra o impacto da dependência em toda a família. O casal Sofia (Mariana Lima) e Davi (Fabio Assunção) sofre com a dependência da filha Amanda e por não reconhecer mais aquela menina que saiu da casa dos pais em Santos para estudar em São Paulo. A relação conturbada com a irmã mais nova, Júlia (Manu Morelli), também se intensifica.


As interpretações dos três, inclusive, merece elogios. Além de atuação visceral de Leticia, Fabio também rouba a cena, não só pela atuação, mas como pela sua história de vida. Daniel de Oliveira, que interpreta Miguel, o marido de Amanda, também se encaixa bem na trama, assim como atores secundários como Camila Márdila, que interpreta a rica Vivian que tenta conquistar Miguel, e Ana Flávia Cavalcanti, que dá vida a Inês, enfermeira, ex-viciada e amiga de Amanda que mostra que é possível sair da dependência.


Apesar de perder um pouco de fôlego no final, “Onde Está Meu Coração” vale muito a pena. É aquela série para ver sem parar, seja pelo próprio desenrolar da narrativa, ou pelas reflexões que ela proporciona – as quais você pode conferir a seguir.



1) Efeitos do crack


A série apresenta o que é o crack para o público em geral, além de mostrar os efeitos que o seu consumo pode causar em um dependente químico. Já no primeiro episódio, a série mostra como a rotina de Amanda pode ser alterada em decorrência do uso do crack. Ela passa a apresentar falta de atenção e concentração no trabalho, além de sentir, cada vez mais, a necessidade de usá-lo.


Durante o tratamento de Amanda em uma clínica de reabilitação, a médica Dra. Célia (Grace Passô) fala também sobre outros efeitos que o crack deixa na pessoa durante períodos de abstinência, quando a pessoa não está usando, como dor de cabeça, falta de apetite e confusão.


2) Dependente químico não tem cor


A série acerta em tirar o imaginário popular sobre o dependente químico da cracolândia e do corpo de homens pretos, pobres e favelados como acontece em outras produções audiovisuais, seja de ficção ou documental. A série mostra que, na verdade, qualquer adulto pode se tornar um dependente químico.


Amanda é uma mulher branca, rica e de olhos claros, que experimenta drogas em festas com o seu marido Miguel, um homem branco e arquiteto. Com o tempo, o uso recreativo passa a se tornar constante, até que ela não consegue viver sem a pedra. Foge tanto do estereotipo midiático criado que até o traficante é um homem branco e "boa pinta".


3) Dependência química é uma doença


A série deixa claro que a dependência química é uma doença que requer tratamento, assim como qualquer outra. E isso não pode ser um privilégio de poucos que podem pagar como a família de Amanda na série. Por isso, na vida real, precisamos de políticas publicas no âmbito da saúde que voltem o olhar a essa pauta e atenda pessoas carentes.


4) Rede de apoio


O tratamento da dependência químico é cheio de idas e vindas, melhoras e recaídas. Por isso, é importante que haja uma rede de apoio próximo a pessoa que está passando pelo processo. Na trama, Amanda é acolhida pelos pais e pelo marido, mas sabemos que essa não é a realidade de muitos brasileiros. Se você conhece alguém que precisa dessa rede de apoio, recomende um grupo de ajuda espalhado mais próximo.


5) Final pode ser feliz


Na série, uma das melhores amigas de Amanda é a enfermeira Inês, uma mulher negra e ex-viciada. Ela mostra como é possível se curar da dependência química e retornar ao cotidiano normalmente, ir ao trabalho, ter novas relações, engravidar. É esse final feliz que precisamos buscar fora da telinha também.


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