Mana do Mês de setembro: Beyoncé | Parte 2: cinco momentos de representatividade preta e feminina

Por Luísa Silveira e Vanessa Barcellos


O mês de setembro se aproxima do fim e, com ele, vamos nos despedindo também de nossa incrível Mana do Mês: Beyoncé. A virginiana completou 39 anos, lá no início, no dia 4, e por isso, resolvemos homenageá-la por aqui. Afinal, não faltam motivos para exaltarmos essa cantora, atriz e artista fenomenal.


Enquanto na Parte 1 desse texto nos debruçamos sobre sua biografia, infância e principais marcos da carreira, hoje queremos falar de algo um pouco mais específico. O poder de Beyoncé não se dá apenas pela sua voz incrível e carisma. A artista é uma das poucas mulheres pretas a chegar nesse patamar no mundo pop. E isso, definitivamente, não passa despercebido.


Sabendo do seu impacto e poder de influência, Beyoncé sempre utiliza-se de apresentações, discursos e músicas para chamar atenção para as causas das mulheres e do movimento preto. E isso, por si só, já é suficiente para a artista incomodar muitas pessoas. Mas confirma que ela está no caminho certo, não é?


Portanto, hoje vamos relembrar cinco momentos em que Beyoncé foi incrível e representou, muito bem, mulheres e pessoas pretas por todo o mundo! Lembrando que, alguns desses já foram mencionados lá em nosso Twitter, no dia de aniversário de Queen B. Aproveita e segue a gente lá!


"FEMINIST", caso não esteja claro | Foto: divulgação (2014)

1. "Feminist" no meio do VMA


Quem não se lembra da apresentação histórica de Beyoncé, no VMA de 2014? A cantora resolveu levar o mesmo artifício que estava usando em sua turnê mundial, Mrs Carter, para uma das maiores premiações do mundo da música. Nesse ano, enquanto apresentava a música "Flawless", o telão por trás da artista mostrava, para quem quisesse ler, "FEMINIST". A música também é bem importante, já que traz parte de um discurso da escritora Chimamanda Ngozie - no qual ela explica o que seria uma pessoa feminista. "Eu não sei se as pessoas realmente sabem ou entendem o que significa ser feminista", disse a cantora. Então, por que não levar isso para o palco? Perfeita!


Rainha do Coachella e da porra toda! | Foto: divulgação (Netflix, 2019)

2. Beychella: primeira headliner preta


A cantora Lizzo já deixou o recado, quando foi capa da Vogue: "A primeira preta a fazer qualquer coisa se sente atrasada. Pra todas as minhas garotas pretas, se alguém como você ainda não conquistou alguma coisa: seja a primeira." E Beyoncé faz isso como ninguém! Em 2018, por exemplo, foi a primeiríssima mulher preta a ser escalada como headliner do Coachella, festival americano que já tem mais de 20 anos. Sabendo a importância do momento, Beyoncé encheu seu palco com dançarinos, músicos e backvocals pretos, além de fazer homenagem à diversas instituições que lutaram por igualdade racial. E ela não é boba, tá? No palco, ela lembra desse detalhe e diz: "Acreditam que demorou tanto assim?". Pois é, Queen B.



3. Class of 2020 e a pandemia


Beyoncé foi uma das pessoas que discursou no evento virtual, organizado por Barack e Michelle Obama, para celebrar os formandos de 2020, que não puderam comemorar, por causa da pandemia. Em 10 minutos, a cantora fala como a crise do coronavírus é também uma questão racial - já que, por lá, os pretos têm quatro vezes mais chance de morrer pela doença. Além disso, não deixa de citar os nomes das mais recentes vítimas da violência policial, sendo Breonna Taylor, uma enfermeira preta de 26 anos, uma delas. Recentemente o caso de Taylor voltou aos jornais, já que apenas um de seus três assassinos foram acusados. Aqui no Brasil, não é diferente. Temos muitas Ágathas, João Pedros e Cláudias para lembrar disso.


"Follow my parade" | Foto: divulgação

4. Black Parade ajuda empresários pretos


Que "Black Parade" é um sucesso e incrível, a gente já sabe. Mas a música, que foi lançada no dia que se comemora a abolição da escravidão nos EUA, feita por Beyoncé e seu marido, Jay-Z, é muito mais do que isso. A canção faz parte de todo um projeto para ajudar e dar visibilidade a pequenos empresários pretos do país. A música deu nome a um e-commerce, lançado por Queen B e sua equipe, com todo tipo de produto - de roupas à alimentos - de pequenos produtores pretos.


Queen B tem "apenas" 24 Grammys, com 70 indicações | Foto: divulgação

5. Recordes, recordes e mais recordes


Quando falamos que Beyoncé é pioneira, é sério! A cantora tem vários recordes na carreira para provar. Para começar, ela é a artista mulher com o maior número de indicações ao Grammy, totalizando 70! Mas não são só os jurados que são encantados com Beyoncé, claro. O público também ama muito! Não à toa, em 2018, a artista conseguiu o título de primeira mulher a ter três álbuns no Spotify a alcançar um bilhão de streamings. "I am... Sasha Fierce" (2008), "4" (2011) e o recém adicionado, na época, "Beyoncé" (2013) foram os responsáveis pelo feito.

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"Mana do mês" é a personalidade feminina influente escolhida para ser homenageada pelo Telas. Todo mês uma mulher importante e relevante é selecionada para contarmos sua história e legado.