Você já ouviu falar sobre "Pink Tax"?

Você já teve a impressão de estar pagando mais caro por um produto só por ele ser para mulheres ou só por ele ter um design considerado feminino? De produtos de beleza a artigos para recém-nascidos, todos esses produtos destinados ao público feminino ganham um adicional no seu preço conhecido como “Pink Tax” - Taxa Rosa, em português.


Parece loucura, né? Mas essa “taxa” é real e já existem pesquisas que, além de comprovar a sua existência, comprovam o quanto a mais ela consome da renda salarial de uma mulher. Se você pensar em toda a sua vida, desde o seu nascimento até hoje, é provável que em toda a compra feita por você (ou para você) tenha sido afetada pela “Pink Tax”.


Mas, afinal, o que é a “Pink Tax”?


Você já ouviu falar sobre "Pink Tax"?

Essa “taxa” é pouco conhecida pelo seu nome. Eu sempre tive essa sensação de estar pagando mais, principalmente quando optava por adquirir um produto dedicado ao público feminino e depois que ouvi esse nomenclatura várias situações foram se encaixando. O “Pink Tax” é um fenômeno - que vem sendo pesquisado nos últimos anos porém sempre existiu - que confiram que produtos destinados às mulheres tendem a ser mais caros que produtos destinados aos homens ou ao público em geral.


E isso não acontece somente em produtos completamente desenvolvidos para as mulheres, em muitos casos só a mudança da cor e/ou embalagem do produto para algo considerado mais feminino - normalmente na coloração rosa - é motivo para o aumento de preço. Isso confirma que não se trata, em sua totalidade, de uma dificuldade de desenvolvimento do produto ou de uma característica específica.


Então, se em algum momento da sua vida você já parou para pensar o porquê da lâmina de barbear rosa era mais cara do que a azul, o “pink tax” é um dos motivos. Eu entendo que pode parecer uma teoria da conspiração, mas já existem pesquisas que comprovam essa prática e mostram o quão problemática ela pode ser para as mulheres.


“Pink Tax” em números


Você já ouviu falar sobre "Pink Tax"?

Existem várias pesquisas feitas ao redor do mundo que estudam e tentam comprovar a existência e os efeitos da “pink tax” para as mulheres. Um dos mais completos que existe foi feito pelo Department of Consumer Affairs (DCA) da cidade de Nova Iorque - algo como um departamento de defesa do consumidor - e revelou que, em média, as mulheres pagam 7% a mais em produtos destinados a mulheres que vão desde higiene pessoal até vestimenta.


Este estudo mapeou mais 800 produtos de marcas diferentes, em 35 categorias - que vão desde brinquedos até para idosos. E o resultado? Os pesquisadores descobriram que em 30 dessa categorias as mulheres pagavam mais por produtos ditos “femininos”. Uma das diferenças mais absurdas eram em produtos de cuidados pessoais, onde as mulheres pagaram cerca de 12% a mais.


A apresentadora e comediante Ellen DeGeneres já abordou esse assunto em seu programa. Em 2012, quando a marca de canetas BIC resolveu lançar uma linha chamada “BIC for her”, onde a única diferença dos produtos era a cor rosa e lilás, Ellen levou essa discussão para a frente das telas e falou sobre essa caneta com maior custo para o público feminino.



E essa é apenas a forma mais escancarada que essa “taxa” nos atinge. Se você parar para refletir quantas vezes você teve que optar por um transporte privado como Uber ou Táxi para voltar de uma festa e, mesmo assim, ainda se sentiu insegura? Situações como essa só reforçam o quão problemática e controversa é a “pink tax” em uma sociedade em que ser mulher significa gastar mais dinheiro.


Por que essa taxa é tão controversa?


Você já ouviu falar sobre "Pink Tax"?

Embora várias empresas justifiquem essa diferença falando da mudança de ingredientes base, tecnologias e afim, o principal motivo para isso é que as mulheres apresentam um modo de consumo diferente dos homens. Desde a nossa infância (ou até antes mesmo do nosso nascimento) começamos a trilhar um caminho rumo ao “corpo perfeito”, ao “estilo ideal” e ao que devemos ou não consumir.


Por esse motivo é muito complexo simplesmente mudar o modo de consumo de um grupo que representa mais da metade da população mundial. Esse é um mercado lucrativo porque somos ensinadas a consumir tudo e qualquer coisa que nos aproxime da vida que aprendemos a idealizar. Tudo isso, entretanto, vai na contramão do processo de desigualdade salarial que existe entre homens e mulheres.


Pesquisas recentes, feitas aqui no Brasil, mostram que, em média, as mulheres ganham 28% a menos que os homens e essa diferença pode acontecer, inclusive, em relação ao mesmo cargo exercido. É totalmente contraditório impor salários mais baixos e produtos e condições que só possibilitam um consumo mais caro para as mulheres.


E, será quanto que você já gastou com a “Pink Tax”?


Atualmente, é possível encontrar diversas pesquisas e artigos que te ajudam a lidar de maneira mais descomplicada com essa diferença de preço. Entretanto, é quase impossível se desprender completamente desse mercado e garantir que você não será mais lesada pela “pink tax”. Isso é algo que está inerente às práticas de consumo adotadas pela sociedade.


Pensando nisso, o site “Ax the Pink Tax” é uma plataforma que junta artigos, publicações, petições e ações que tentam diminuir os danos causados a mulheres e disseminar informação sobre essa taxa através da internet. No site ainda é possível calcular o quanto você já gastou só por ser mulher através de uma calculadora. Na imagem abaixo você consegue ver o quanto o “pink tax” me custou ao longo dos meus (quase) 22 anos.


Você já ouviu falar sobre "Pink Tax"?

Essa é uma realidade que ainda está longe de mudar. Por isso, se informar e transmitir informação sobre o assunto é uma forma de ajudar as mulheres a entenderem seus modos de consumo e passar a cobrar empresas e governos alguma resposta sobre esse fenômeno que nos atinge diariamente.


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