Taylor Swift e as regravações dos álbuns: entenda a jogada da cantora

Se você estava nas redes sociais na última sexta-feira (12), provavelmente ficou sabendo que Taylor Swift relançou seu álbum “Red”, originalmente de 2012. Com ele, veio a versão de 10 minutos da música “All Too Well”.


Falar que foi uma estratégia bem sucedida é o mínimo. O curta de “All Too Well (10 Minute Version)”, estrelando Sadie Sink e Dylan O’Brien já superou 14 milhões de visualizações no Youtube em menos de 24 horas e as 30 músicas do “novo” álbum estão no topo do Spotify internacional e de outras plataformas, como o iTunes.


Mas se “Red” é um trabalho lá de 2012, por que Taylor está relançando músicas antigas e qual é a explicação para tamanho sucesso? O Telas Por Elas separou aqui um resumo de tudo o que aconteceu com Taylor Swift e a importância de sua jogada para valorizar sua arte e seu trabalho!

Taylor Swift e Scott Borchetta na era "reputation" (Foto: Reprodução / Getty Images)

Taylor Swift está em briga com antiga gravadora


Os seis primeiros álbuns de Taylor Swift - “Taylor Swift”, “Fearless”, “Speak Now”, “Red”, “1989” e “reputation” - pertencem à primeira gravadora da artista, a Big Machine, que por muitos anos foi liderada por Scott Borchetta. Desde o começo, Taylor sabia que, por cláusulas contratuais, as suas músicas pertenciam oficialmente à Big Machine.


Swift, inclusive, tem mostrado que isso é um funcionamento bem comum e perigoso da indústria musical dos Estados Unidos. “A maioria dos seus artistas favoritos provavelmente não têm direito sobre as próprias músicas”, disse a cantora durante entrevista com Seth Meyers nesta semana.


Seu posicionamento e alerta claro sobre as armadilhas de alguns empresários da área foram essenciais para que novos artistas, como a própria Olivia Rodrigo, ficassem atentos e procurassem por gravadoras que garantissem direitos autorais aos artistas em relação a sua própria obra.


"Red (Taylor's Version" já é um sucesso!

Quando a rixa se tornou pública


Já sabíamos da questão e tudo ficou mais evidente quando, ao lançar seu álbum “Lover”, em 2019 - primeiro feito com a nova gravadora, Universal Music - , Taylor deixou claro que o trabalho era ainda mais especial, porque realmente era dona do material. Porém, algum tempo depois, a artista foi às redes sociais tornar público algumas das coisas que estavam rolando por trás, nos bastidores.


Swift afirmou que, por muitos anos, tentou comprar os direitos autorais de seus primeiros trabalhos, mas a negociação não foi para frente. Tudo mudou quando a cantora descobriu que a Big Machine havia sido vendida para Scooter Braun, incluindo todos os seus primeiros álbuns. Scooter, no caso, é conhecido por ser empresário de Justin Bieber, Demi Lovato e Ariana Grande e já tinha sido tachado como “inimigo” de Taylor - por ter feito post polêmico, debochando da cantora, ao lado de Kanye West - outro também conhecido por brigas bem públicas com Swift.


Taylor falou sobre isso e mencionou que a gravadora não estava permitindo que a cantora usasse suas próprias músicas em dois contextos bem importantes: no documentário da Netflix, que a artista estava fazendo sobre sua carreira, e durante apresentação no American Music Awards, em que Taylor foi homenageada como artista da década.


Big Machine rebateu Taylor


A confusão ficou ainda pior quando a gravadora rebateu a cantora, dizendo que as acusações de Taylor eram falsas e que, nem se quisessem, poderiam proibi-la de fazer isso. Eles também disseram que Swift estava encorajando seus fãs a atacarem um grupo de funcionários inocentes e ainda completaram dizendo que Taylor estava devendo milhões para a Big Machine.


Só que isso não durou muito tempo. Empresários de Taylor vazaram e-mails, confirmando o que foi dito pela cantora inicialmente e disseram que as dívidas, na verdade, eram da própria Big Machine - que deve quase oito milhões de dólares em royalties que não foram pagos ao longo dos anos para a voz de "Red".


Desde então, houveram novas tentativas para que Taylor pudesse ter direito às suas músicas - incluindo uma dupla de empresários que queria comprar os álbuns e devolver à Swift. Porém, todas as opções vinham com condições impostas por Scooter de que Taylor não falaria mais nada sobre ele - e suas atitudes duvidosas - e que ela não regravasse suas antigas músicas. E, é claro, que ela não aceitou.


Leia também: Taylor Swift critica gravadora antiga após lançamento sem sua permissão


O começo das regravações


Em entrevistas e nas redes sociais, Taylor disse que estava animada para regravar canções de seus primeiros seis álbuns. Em abril, tivemos acesso a “Fearless (Taylor's Version)” e agora, em novembro, temos o “Red” (Taylor’s Version). Com essa brecha, Swift consegue recuperar direito de seu trabalho de anos - ganhando dinheiro com suas reproduções e possíveis usos publicitários no futuro.


Mas você pode pensar: por que as pessoas iriam estar tão interessadas em ouvir novamente músicas de anos atrás? Para começar, os fãs de Taylor Swift são intensos. E, como não queriam contribuir para o lucro da Big Machine, estavam há anos sem ouvir faixas que, por tanto tempo, significavam muito para eles. Só que Taylor é tão genial, que ela decidiu fazer uma pequena mudança, para atrair também aqueles que não têm um apego emocional às suas antigas canções.


Para cada álbum relançado, ela irá liberar faixas chamadas “From The Vault”, ou seja, “do cofre”. São aquelas que não entraram no corte original, seja por que o disco já tinha muitas músicas sobre o assunto ou simplesmente por que não era uma escolha comercial, como a versão estendida de 10 minutos de “All Too Well”.


Anos depois, ela pode se dar ao luxo de liberar uma faixa de 10 minutos, que atualmente está no topo do iTunes, e ter certeza do sucesso do disco que inclui novas parcerias com nomes como Ed Sheeran e Phoebe Bridgers. Ainda em sua participação no programa de Seth Meyers, Taylor detalhou a decisão e falou sobre a sensação de relançar um trabalho tão íntimo e especial:


“Há anos, eu deixei claro que queria comprar minha música e a oportunidade não foi me dada e foi para outra pessoa. Eu pensei: 'fui eu quem fiz essas músicas primeiro e posso simplesmente fazer isso de novo'. E é isso que eu estou fazendo. Então quando algo diz ao lado ‘Taylor’s Version’ entre parênteses, quer dizer que é meu, o que é bem legal.”

A loirinha ainda foi além e disse que é incrível poder reviver o trabalho, sem o peso emocional dos traumas da época e sem estar nervosa sobre a opinião do público, já que as faixas já são muito especiais para os fãs. Quando perguntada se ela pensava na reação das pessoas para quem ela escreveu as músicas, que também vão estar revivendo todo o relacionamento passado, Swift disse apenas: “Para ser honesta, eu não pensei na experiência deles”, afirmou.


Dona de si, de suas músicas e da porra toda. Essa é Taylor Swift.