Resenha: Quanta coisa pode estar logo ali, de Lola Salgado

Quando bate aquela ressaca literária, é difícil encontrar um livro que vai te prender do início ao fim. Em momentos como esse, eu sei que posso contar com qualquer livro da Lola Salgado. Conheci o trabalho dela quando ainda era uma usuária assídua do Wattpad e, desde então, já li tudo o que ela publicou. Não foi diferente com Quanta Coisa Pode Estar Logo Ali, livro lançado em 2020.


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Na trama, acompanhamos a chegada de Olívia à vida adulta. A jovem, que mora no interior do Paraná, foi criada pela mãe, avó e tia e acaba de ser reprovada no vestibular de arquitetura, curso que a sua família tanto almejava para ela. Entretanto, a tristeza por isso é algo que nem passa pela cabeça de Oli. Ela está devastada pois a sua banda favorita, o Broken Boys, acabou de anunciar que vão se separar. Tudo o que ela mais queria era passar dia e noite se dedicando às suas fanfics. No meio de um turbilhão de confusões, a jovem decide dar uma chance ao seu pai distante e parte rumo à Curitiba, cidade que fará parte da turnê de despedida dos Broken Boys, para fugir dos seus atuais problemas e enfrentar outros.


A mudança de cidade vem acompanhada de muitas outras transformações para a vida da jovem. Ela precisa lidar com um completo estranho enquanto tenta se adaptar à dimensão e variação de estilos que a vida em uma capital proporciona. No meio dessas inseguranças, Olívia começa a usar o seu all-star branco como um diário, escrevendo palavras que descrevem as sensações conflitantes pelas quais está passando. E é justamente o calçado que chama a atenção de Ravi, o descolado bartender do Barba, estabelecimento em que o pai dela sempre vai fazer shows, e vizinho quase que onipresente.



Charmoso, Ravi ostenta unhas pintadas, olhos maquiados e o ar completamente moderno é um contraste e tanto com a garota recém-chegada no interior e ainda cheia de inseguranças. É por esse motivo que Oli foge desesperadamente do garoto. Mas, tem horas que fica impossível resistir ao jovem, ainda mais quando ela descobre que ele também é muito fã dos Broken Boys e que quer ir no show de despedida da banda.


A história é sobre a transição de Olívia para a temida fase adulta, mostrando como nem tudo está perdido e que ela ainda tem muito o que viver e o que descobrir nessa fase. Além disso, o livro traz questões muito importantes como a carga emocional que é despejada nos jovens ainda aos 18 anos, a conexão da garota com as raízes negras da sua família paterna e a bissexualidade de Ravi e como isso afeta as suas vivências e escolhas.


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É uma leitura leve e muito agradável. E essa é uma característica da autora. Então, se tiver interesse vale ler "A Linguagem do Amor", "Sol em Júpiter", "Os 8 disfarces de Otto", "Minha vida (não) é uma comédia romântica" e todos os outros títulos já publicados por ela.


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