Mana do Mês de Novembro: Zezé Motta | Parte 2: seis trabalhos incríveis para conhecer

No mês da Consciência Negra, a Mana Do Mês não poderia ser outra pessoa se não uma mulher que sempre colocou a diversidade racial em pauta muito antes de a gente discutir o tema como sociedade: a cantora e atriz Zezé Motta. A primeira parte da categoria do mês de Novembro, relembramos a o inicio da sua trajetória, vimos alguns momentos importantes de sua carreira e ainda as bandeiras que Zezé levanta.


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Nesta segunda parte, relembraremos seis trabalhos incríveis da Zezé passeando pelo cinema, televisão e música. Aos 76 anos, nossa Mana do Mês esbanja talento, simpatia e inspiração.


Xica da Silva - Xica da Silva, Filme (1976)


Um dos filmes mais populares do cinema brasileiro também foi um marco na carreira de Zezé Motta. A atriz deu vida á Xica da Silva, uma escrava da segunda metade do século XVIII, que após conquistar o coração de um milionário, se tornou uma dama na sociedade de Diamantina. Após a união com João Fernandes (Walmor Chagas), ela se transforma na Rainha do Diamante e promove luxuosas festas que chegaram até a corte portuguesa. A direção do filme foi feita por Cacá Guedes relembrava todos quem foi Xica da Silva: uma mulher segura de si, extrovertida e bem a frente do seu tempo - qualidades que podemos atribuir também á nossa Mana do Mês. Mas infelizmente, a personagem ficou no imaginário masculino e isso, é claro, afetou Zezé de forma abusiva. A atriz precisou passar por diversas situações de assédio e chegou até a ser tocada por um taxista em uma viagem.


Maria da Silva - Xica da Silva, Novela (1996)


Depois de viver Xica da Silva, Zezé Motta interpretou a mãe dela, Dona Maria da Silva na novela escrita por Walcyr Carrasco. Zezé precisou ainda mais de força e determinação para dar á vida á Maria que em uma das cenas mais emblemáticas da novela, é torturada ao ser amarrada em cavalos que saem em disparada ao ouvir barulhos de tiro. A trama exibida na Rede Manchete, contava a mesma história que o filme protagonizado anteriormente por Zezé, só que desta vez Xica da Silva era Thais Araújo. E foi nesse momento que a relação entre as duas atrizes se fortaleceu. Em entrevistas, Motta conta que no começo sentiu medo de sentir ciúmes de ver alguém interpretar Xica da Silva novamente, mas ai se dedicar para interpretar Maria, ela se apaixonou pela Thaís e a viu como sua filha tanto dentro quanto fora da ficção.


"Para uma negra, um negro, sempre estão fazendo papéis subalternos. Não tem problema nenhum fazer a enfermeira, a doméstica, o motorista. Não tem problema. O que o ator quer é estar em cena. O que nós cobrávamos é que esses personagens viviam à reboque dos outros personagens. Os personagens negros não tinham pai, não tinham mãe, não tinham filhos, não tinham família. Eles apenas viviam alí, dentro daquela casa onde trabalhavam. Mas eu percebo que já existe uma preocupação de tanto a gente denunciar, se queixar, dar cotovelada… Já existe uma preocupação por parte dos produtores, dos escritores, dos diretores na distribuição dos papéis. Mas ainda temos muita luta pela frente, ainda falta muito espaço pros atores negros na mídia de modo geral. " Zezé Motta para uma entrevista no AdoroCinema

Nair - 3% (2016)


Sucesso no cinema, na televisão e também nas minisséries. Na série original da Netflix, Zezé Motta viveu Nair, uma mulher forte, de pulso firme e bastante importante para a trama. "3%" conta a história de um futuro não muito distante onde o planeta se torna um lugar devastado dividido em dois lugares: Maralto e Continente. Aos 20 anos, todo cidadão recebe a chance de passar por uma rigorosa seleção para ascender ao Maralto, uma região farta de oportunidades e recursos. Porém, apenas 3% consegue chegar lá através de provas e atividades. A representatividade da série acontece em diversos momentos, inclusive ao ver Zezé Motta como Nair, que é uma das conselheiras do Maralto e ocupa um dos cargos de maior poder na sociedade distópica da série. Infelizmente essa não é a realidade de artistas pretos nas produções audiovisuais, onde ocupam quase sempre papéis subalternos e dependentes de um personagem branco.


Deus - A Comédia Divina (2017)


Se em "3%" Zezé viveu um cargo de poder, podemos dizer que no filme "A Comédia Divina" ela viveu o cargo de poder. Afinal, quer mais poder do que Deus? No filme, o Diabo não anda muito popular e se mostra bastante preocupado com sua situação. Ele decide, então, abrir sua própria igreja, onde tudo o que é proibido passa a ser permitido. Usando a televisão para propagar a chegada da nova religião, ele instala a desordem e o mundo vira um caos. Deus é uma mulher e é uma mulher preta! Zezé novamente nos presenteia coma sua clareza, seriedade e força em mais uma atuação que nos ajuda a levantar a bandeira da representativade, ocupando o cargo da criadora do mundo.


Zezé Motta - Zezé Motta (1978)


Zezé é uma artista completa que além de ser um dos grandes nomes da televisão, cinema e teatro brasileiro, também trilha seu caminho na indústria fonográfica. Seu primeiro trabalho solo na música foi em 1978, apenas dois anos depois de seu sucesso como Xica da Silva. O álbum homônimo, conta com 11 faixas que passeiam do samba ao MPB , cheias de força e bandeiras que levantou quando nem a sociedade pensava nos assuntos. Na canção "Muito prazer, Zezé" ela se apresenta: "Muito prazer eu sou zezé, uma rainha, uma escrava, uma mulher. Uma mistura de raça e cor, uma vida dura mas cheia de sabor. É que hoje em dia estou mais atrevida, muito mais sabida eu quero dar uma colher, pois é. Eu sou zezé da terra do sol, da lua de mel, da cor do café.".



O samba mandou me chamar - Zezé Motta (2018)


"O samba mandou me chamar" é o décimo álbum solo após sete anos fora dos estúdios. Neste álbum, Zezé se dedica inteiramente ao samba, uma de suas paixões, mas a intimidade com o estilo músical vem de longe. Em 1979, Zezé fez vibrar o país com a sua gravação de “Senhora liberdade”, de Wilson Moreira e Nei Lopes. E também em 2000, quando gravou Divina saudade, CD com diversos sambas-canção do legado de Elizeth Cardoso. O disco é composto por jovens compositores e também por grandes nomes como Wilson Batista, Arlindo Cruz, Xande de Pilares, Erasmo Carlos, Marisa Monte e Carlinhos Brown.



É claro que quando falamos de uma artista como Zezé Motta, um texto como este não teria fim se colocássemos todos os trabalhos e projetos que reafirmam a mulher forte e talentosa que ela é. Zezé merece cada espaço que reservamos aqui no nosso blog, seja no #ManaDoMês, nas #Listas ou nas #Notícias. Zezé é referência, é força, talento e acima de tudo, arte.


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“Mana do mês” é a personalidade feminina influente escolhida para ser homenageada pelo Telas. Todo mês uma mulher importante e relevante é selecionada para contarmos sua história e legado.