• Victoria Rohan

Mana do mês parte 2: as sementes de Marielle

O mês de março está acabando e queremos, mais uma vez, homenagear nossa Mana do Mês. Marielle Franco foi a escolhida para estrear o projeto: mulher negra, periférica, bissexual e defensora dos direitos humanos. Mas você já sabe quem foi Marielle - e, se não sabe, pode dar uma conferida aqui. Para além disso, queremos mostrar seu legado e a célula revolucionária que ainda é.

Seu assassinato parou o Rio de Janeiro, o Brasil e o mundo. Uma vereadora eleita sem medo de lutar contra as milícias foi friamente assassinada - um dia após tweetar sobre a realidade que o Rio vivencia questionando “quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”. Dois anos se passaram e ainda temos mais perguntas que respostas. Mas a semente de Marielle deu frutos e é sobre isso que falaremos hoje.


Marielle passou a ser, ela mesma, uma bandeira. Foto: Reprodução Daniel Arroyo

Marielle presente, Marielle semente

A família de Marielle criou o Instituto Marielle Franco com o objetivo de buscar justiça sobre o caso, defender a memória da vereadora, multiplicar o legado deixado por ela e regar suas sementes. Ainda em fase de construção, o Instituto tem duas ações em andamento: o mapa dos coletivos e o concurso de ensaios feministas.


O Mapa dos Coletivos é uma rede de apoio de coletivos, movimentos e organizações que têm Marielle como inspiração. A ideia é facilitar a troca de informações, ideias, aprendizados e saberes e compartilhar iniciativas e pautas. Você pode inscrever um coletivo aqui. Já o 1º Concurso Marielle Franco de Ensaios Feministas é uma parceria com a editora Contracorrente para fortalecer o pensamento feminista e defender a memória e a luta de Marielle. O concurso vai selecionar ensaios inéditos escritos por autoras - cis ou trans - sobre diversos aspectos do feminismo. Mais informações sobre o concurso aqui.


Além disso, o Instituto também abriu em março de 2020 a Casa Marielle, no Largo de São Francisco da Prainha, na região central do Rio. Com ajuda de financiamento coletivo, o local conta com uma exposição permanente do acervo pessoal e político da vereadora e servirá de palco para rodas de conversa, oficinas para jovens negras, LGBTIQs e da periferia.


Inauguração da Casa Marielle que, mesmo em dia chuvoso, arrastou 7 mil pessoas. Foto: Reprodução Klecia Melo

Educação para todas e todos

Participantes da Igreja Batista do Caminho, que há 9 anos desenvolvem atividades nas áreas de cultura e educação, criaram o projeto Pré-Vestibular Comunitário Marielle Franco. Seu principal objetivo é contribuir para a qualificação de estudantes de baixa renda, ampliando o seu acesso ao ensino superior. Eles funcionam com contribuições mensais por meio de crowdfunding para a compra de materiais e demais despesas administrativas. Você pode conhecer mais do projeto pelo Instagram ou pelo crowdfunding.


Pré-vestibular Marielle Franco permite que estudantes tenham acesso a um curso. Foto: Reprodução

Dia Marielle Franco

Em 2018, ficou determinado por lei que o dia 14 de março seria o Dia Marielle Franco de luta contra o genocídio da mulher negra no estado do Rio de Janeiro. A Lei 8.054/18, cujo texto é de autoria da deputada estadual Enfermeira Rejane (PCdoB), determina que essa data seja incluída no calendário oficial do Rio. Simbólico, espera-se que instituições públicas e privadas promovam debates e palestras com o objetivo de incentivar a reflexão sobre esse tema. Afinal, é extremamente necessário que mulheres negras sejam foco das políticas públicas, já que são as principais vítimas de feminicídio e da falta de assistência do Estado.


E há resistência na arte!

Marielle também foi homenageada por escola de samba e por série do GloboPlay. A Estação Primeira de Mangueira levou o título do carnaval de 2019 com o samba-enredo “História Para Ninar Gente Grande”, que menciona e homenageia a ativista. “Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, Malês”. A Mangueira levou à Sapucaí colegas, familiares e apoiadores da vereadora balançando bandeiras com retratos de Marielle e uma imensa bandeira do Brasil onde o lema “ordem e progresso” foi substituído por “índios, negros e pobres”. Você pode ouvir o samba no Spotify e ver o desfile completo no YouTube.


Mangueira levou o título com homenagem à Marielle. Foto: Reprodução TV Globo

Além disso, o caso de seu assassinato foi tema da primeira produção original de jornalistas da TV Globo para o Globoplay. A série documental “Marielle, O Documentário” tem seis episódios e conta a história de vida e morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados em 14 de março de 2018. A equipe entrevistou família, políticos, investigadores e autoridades e descobriu detalhes até então desconhecidos do público. Caso tenha assinatura no Globoplay, você pode assistir aqui.


Que Marielle foi inspiradora em vida não há dúvidas. Mas ela ainda se faz (muito) presente e se tornou semente para tantas e tantos. O seu legado é incontável, esse texto foi apenas uma seleção de seus frutos mais aparentes. A união, a compaixão, a luta por justiça e a criação de tantos projetos em seu nome são outros tantos que não cabem em palavras. Obrigada, Marielle.🌻


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'Mana do mês' é a personalidade feminina influente escolhida para ser homenageada pelo Telas. Todo mês uma mulher importante e relevante é selecionada para contarmos sua história e legado.