#ListaPreta: conheça 7 diretoras e cineastas nacionais e internacionais

Para os cinéfilos de plantão conhecer e acompanhar o trabalho de diretores e cineastas é muito interessante. E, óbvio, que a noite dos Oscars é uma das mais aguardadas do ano justamente por ser uma das maiores premiações do cinema. Mas aí entra uma problemática: em 93 anos de cerimônias dos Oscars nenhuma mulher preta foi indicada na categoria de direção. Nenhuma. E apenas sete mulheres foram indicadas nessa categoria, sendo apenas uma não-branca: Chloé Zhao é chinesa e ganhou o último prêmio de Melhor Direção por seu trabalho em Nomadland (2020).


No cenário nacional a situação não se encontra muito melhor, não. Segundo dados da Ancine, dos 167 filmes brasileiros lançados comercialmente em 2019, apenas 36 foram dirigidos por mulheres. E quando se pensa que as mulheres pretas representam 27,8% da população brasileira, isso se torna ainda mais problemático. Afinal, onde estão as mulheres pretas do audiovisual? Pensando nisso, selecionamos 7 diretoras e cineastas pretas para você conhecer e acompanhar.



Adélia Sampaio

Óbvio que a primeira mulher preta a dirigir um longa no Brasil tinha que entrar na lista, né? Filha de empregada doméstica, aos 13 anos se mudou para o Rio de Janeiro com a família para morar com sua irmã, que trabalhava em uma distribuidora de filmes russos. E foi assim que teve o primeiro contato com sua paixão de vida. Foi em 1984 que veio seu primeiro longa-metragem, do qual também foi roteirista e produtora: Amor Maldito (1984). Acha que o feito f*** acaba aí? O filme, baseado em fatos reais de Jacarepaguá, gira em torno de um casal lésbico. Fernanda e Sueli vivem um romance. A relação passa por crises e Sueli acaba caindo nos braços de um mulherengo. Grávida e sem apoio, ela se suicida, mas as suspeitas da morte recaem sobre Fernanda.



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Renata Martins (@recine12)

No Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2020 apenas um filme dirigido por mulher foi premiado - e foi de Renata, uma mulher preta. Sem Asas (2019) mostra Zu, um garoto preto de 12 anos que vive em uma periferia. Um dia ele sai para comprar farinha de trigo e, na volta para casa, descobre que pode voar. A inspiração para o curta veio depois do assassinato do estudante Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, que saiu para procurar um chaveiro e não voltou para casa vivo. Ele foi baleado por policiais militares no dia 27 de outubro de 2013 no Jardim Brasil, na zona norte de São Paulo. Renata também foi roteirista colaboradora em Malhação: Viva a Diferença (2017-2018).



Yasmin Thayná (@yasminthayna)

Yasmin é diretora e roteirista de KBELA (2015), um curta realizado de forma colaborativa por mulheres pretas sobre mulheres pretas. Ele recebeu o prêmio de Melhor Curta-metragem da Diáspora Africana da Academia Africana de Cinema (AMAA Awards 2017) e foi convidado para dezenas de festivais ao redor do mundo. Além disso, percebendo essa demanda do audiovisual preto, Yasmin fundou o AFROFLIX, uma "plataforma que disponibiliza conteúdos audiovisuais online que possuam pelo menos uma área de atuação técnica/artística assinada por uma pessoa negra".



Sabrina Fidalgo (@sabrinafidalgoo)

Carioca, Sabrina é filha de Ubirajara e Alzira Fidalgo, fundadores do Teatro Profissional do Negro (TEPRON), um coletivo que, no início da década de 1970 no Rio de Janeiro, capacitava, fazia política e crítica social dentro dos palcos. Em março de 2018 Sabrina foi eleita em oitavo lugar pela publicação norte-americana “Bustle” como uma das 36 diretoras de todo o mundo que estão mudando paradigmas em seus respectivos países. Um de seus projetos mais famosos é Rainha (2016), que conta a história de Rita (Ana Flavia Cavalcanti), uma jovem que sonha em ser rainha de bateria da escola de samba da sua comunidade. Mas, quando finalmente consegue, passa a enfrentar situações obscuras.



Dee Rees

Já que falamos de Oscar, Dee Rees precisa entrar na lista. Ela foi a primeira mulher preta a ser indicada ao Oscar na categoria Melhor Roteiro Adaptado por seu filme Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi (2017). Rees estudou na Universidade de Nova York Tisch School of Arts, onde teve aulas com ninguém menos que Spike Lee. Além disso, já ganhou o Emmy pelo filme televisivo Bessie (2015), que conta a história da cantora Bessie Smith, conhecida como Imperatriz do Blues.



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Ava DuVernay (@ava)

Essa aí tem uma lista longa de trabalhos e prêmios de entrar na história. Em 2012, foi a primeira mulher preta a ganhar o Prêmio de Melhor Direção no Festival Sundance de Cinema, com o filme Middle of Nowhere (2012). E tem mais! Seu filme Selma: Uma Luta Pela Igualdade (2014) fez com que ela fosse a primeira diretora preta a ser indicada para o Globo de Ouro de Melhor Direção e Melhor Filme Dramático. Sem falar que também foi a primeira preta a ser indicada a um Oscar de melhor filme. E é dela também a criação de Olhos que Condenam (2019), minissérie da Netflix que rendeu 11 indicações ao Emmy.




Regina King (@iamreginaking)

E não podia faltar Regina King na lista, né? Que ela é uma atriz impecável a gente já sabe, tanto que ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por seu papel em Se a Rua Beale Falasse (2018). Mas foi em 2020 que conhecemos um novo talento de King. Uma Noite Em Miami (2020) foi seu filme de estreia como diretora e, com ele, ela se tornou a primeira diretora preta a ter um filme selecionado e exibido no Festival Internacional de Cinema de Veneza, na Itália.



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