#ListaPreta: 5 autoras pretas nacionais e internacionais para conhecer

Não é segredo que o mercado editorial brasileiro é dominado por brancos. Segundo levantamento do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, apenas 2,5% dos autores publicados entre 2004 e 2014 não eram brancos. O perfil do escritor publicado no Brasil é majoritariamente homem, branco e do eixo Rio-São Paulo. Sabemos bem que esses números não indicam nenhuma tendência masculina à produção escrita ou coisa do tipo — essas estatísticas transparecem a dificuldade de minorias sociais em chegarem a posições de destaque.


Isso acontece não só com a desigualdade de oportunidades na hora de publicar um livro, como com a tendência da nossa sociedade em aclamar apenas autores homens e/ou brancos. Por exemplo, Carolina Maria de Jesus vendeu 10 mil exemplares de Quarto de Despejo (1960) na mesma época em que Clarice Lispector estava no auge de sua produção literária, mas apenas esta última é lembrada até os dias de hoje.


Seguindo nossa celebração da Consciência Negra em novembro, o Telas traz a seguir cinco autoras pretas nacionais e internacionais que você precisa conhecer para variar os livros da sua estante.

Carolina Maria de Jesus (1914-1977)


Como mencionamos ali em cima, Carolina Maria de Jesus já chegou a vender mais de 10 mil livros quando ainda estava viva. A autora era uma catadora de sucata e moradora da favela do Canindé, em São Paulo, quando decidiu escrever diários relatando o cotidiano das pessoas de lá. Foi daí que surgiu Quarto de Despejo, romance que atingiu muito sucesso no Brasil. Carolina também escrevia poemas, em que denunciava preconceitos e suas experiências de vida.

Ayobami Adebayo (1988-)


Ayobami Adebayo é uma autora nigeriana. A jovem ganhou destaque logo na universidade, onde cursava Literatura Inglesa, e venceu vários concursos de escrita criativa. Seu romance de estreia se chama Fique Comigo (2017) e conquistou títulos importantes na mídia, como The New York Times, The Guardian e The Wall Street Journal. O livro é ambientado na Nigéria e conta os tumultos de um casamento em que a esposa não consegue engravidar.

Conceição Evaristo (1946-)


Conceição Evaristo é mineira e imortalizada na Academia Brasileira de Letras. Muito versada em suas produções, já fez poesia, ficção e ensaios, sempre abordando de maneira política a cultura preta e o racismo no Brasil do ponto de vista de uma mulher preta. Vale destaque para seu livro Ponciá Vicêncio (2003), que retrata a escravidão e mostra claramente como a História do país afeta pretos até hoje.

Teresa Cárdenas (1970-)


Teresa Cárdenas destoa um pouco das demais autoras desta lista porque ela é voltada para a produção infantil. Ela passou a escrever livros para crianças como uma forma de lidar com a frustração de encontrar poucas personagens pretas no meio infantil. Assim, a cubana Teresa decidiu criar a representatividade por conta própria e vários títulos seus são comuns em escolas hoje em dia. No Brasil, a autora tem publicados os livros Cartas Para A Minha Mãe (2008), Cachorro Velho (2005), Mãe Sereia (2018) e Contos de Olófi (2017).

Octavia Butler (1947-2006)


Octavia Butler é consagrada como uma autora que conseguiu desabrochar na ficção científica, gênero tão dominado pelo homem padrão. Justamente por ser minoria, Octavia conseguiu colorir a área com obras com mais representatividade, abordando questões de gênero e raça. Em Kindred: Laços De Sangue (1979), ela traz uma protagonista negra para abordar a escravidão ao mesmo tempo em que fala sobre viagem do tempo. Em sua carreira, Octavia soube se apropriar dos elementos de ficção para apontar críticas e preconceitos.



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Listas com dicas selecionadas sobre filmes, séries, músicas, livros e peças teatrais. É nessa categoria que você descobre sugestões do que assistir nas plataformas de streaming ou o que fazer em um dia à toa em casa.