Isabella Taviani fala da nova música, "Repito", e maternidade: "Força para recomeços"

Isabella Taviani é responsável pela trilha sonora da vida de muitas pessoas -- não só em novelas da TV Globo. Completando 20 anos do primeiro álbum, que leva seu próprio nome, a artista de 54 anos prepara uma série de lançamentos para os próximos meses.


O primeiro deles é "Repito", single que chegou recentemente às plataformas de músicas após dois anos de hiato. Em janeiro de 2020, poucas semanas antes do início da pandemia da covid-19, ela lançou o disco "A Máquina e o Tempo".



A canção de amor inédita traz atmosfera leve e abraça um novo caminho musical para Isabella, que recentemente se tornou mãe dos gêmeos Ignácio e Estevão, frutos do relacionamento com a também cantora Myllena e concebidos por inseminação artificial. Hoje, eles têm três anos.


Em entrevista ao Telas Por Elas, a cantora e compositora conta como a canção nasceu em fevereiro de 2021, uma das poucas que surgiram durante a pandemia, e fala sobre maternidade.


Confira a entrevista completa:


Sua carreira é marcada por músicas intensas e passionais. "Repito" segue essa linha ou marca um novo caminho musical?


“Repito” é uma canção de amor, como grande parte das minhas músicas, mas ela traz uma sonoridade retrô que retrata uma modernidade no meu som. Apesar de uma letra que fala sobre uma união impossível de acontecer, toda a ambiência do arranjo nos traz leveza e um sorriso nos lábios.


Como nasceu a faixa? Como foi o processo criativo?


A música nasceu em fevereiro de 2021. Uma das poucas canções compostas em meio à pandemia. Meu processo criativo durante esses dois anos foi muito pequeno. Por isso até me admirei do nascimento dessa canção tão bacana e inesperada! Acho que "Repito" é um marco neste recomeço, até por isso mesmo.


Mãe de gêmeos após os 50, quais transformações a maternidade trouxe a sua vida e a sua arte?


A maternidade veio aos meus 51 anos e foi algo maravilhoso e inacreditável. Me sinto muito privilegiada de ter essa oportunidade. Minha vida mudou demais, a começar pela rotina radicalmente diferente. Eu dormia bem tarde, de madrugada, agora meus horários são outros, eu fico com meus filhos de forma integral e diária. Eles me renovaram. Me trouxeram uma força inabalável para recomeços, como este que vivo agora. Hoje, é por eles que subo no palco.


"Repito" marca seu retorno após 2 anos de lançamento do disco "A Máquina do Tempo". Como é se despedir de uma era, que foi marcada pela pandemia, e começar outra?


Após a pandemia, eu finalmente consegui estrear a turnê de “A Máquina do Tempo”. Mas como muito tempo se passou, achei que era importante vir com novos lançamentos e incluí-los nos shows. A pandemia foi um período muito difícil, ainda mais com dois bebês em casa, não me restava tempo ou até mesmo inspiração para compor, ouvir música, pensar em lives. Por outro lado, poder ficar integralmente com meus filhos foi maravilhoso. Voltar à estrada e deixá-los foi tarefa árdua.



Você está prestes a atingir a marca de 20 anos do seu primeiro álbum. O que prepara para 2023? Podemos esperar um novo disco?


Eu sou uma artista que sempre prezou por lançar álbuns, por um conceito artístico no que se refere à turnê. Mas eu entendo que o momento é diferente. Quando se lança um álbum inteiro perde-se toda uma divulgação e foco que podem ser atingidos no faixa a faixa. Por isso, a partir de agora pretendo me dedicar a cada single de forma exclusiva, lançando um EP e então, quem sabe, chegaremos a uma compilação final.


Nesses 20 anos, você teve muitas trilhas sonoras de novelas (como "Luxúria" em "Sete Pecados"). O que elas representam para você?


As trilhas são uma forma infalível de chegar perto de uma multidão que talvez nunca ouvisse meu som, se não fosse numa novela ou minissérie. Porque ela entra na casa das pessoas que não necessariamente consomem MPB. Enfim, é um canhão de exposição do seu nome junto àquela canção.