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Filme sobre Whitney Houston acerta ao contar glórias e dramas de uma estrela que furou o racismo

"I Wanna Dance with Somebody: A História de Whitney Houston" chegou aos cinemas brasileiros na quinta-feira (12) e traz as glórias e dramas da artista que quebrou recordes.


Traz detalhes da menina que cantava em um coral de Nova Jersey e era crooner da própria mãe. Descoberta por um produtor, ela trilhou um caminho pouco visto antes. A menina negra furou o bloqueio do racismo e se tornou a número 1 dos Estados Unidos.




O filme dirigido por Kasi Lemmons mostra que Whitney não era perfeita. Por trás da diva, "a maior de sua geração" como o próprio longa garante, existia uma mulher que acertava e errava. Como toda estrela musical, era cobrada para ser perfeita e isso não fez bem a sua saúde mental. Whitney sucumbiu às drogas e teve sua trajetória abreviada muito antes do que deveria.


A produção não subestima a inteligência dos espectadores. Não explica detalhe por detalhe e deixa a produção arrastada. Pelo contrário, é dinâmica e tem elipses temporais interessantes -- nem sempre é preciso falar para entender o que houve.


A atriz escolhida para a difícil missão de viver Whitney foi a britânica Naomi Ackie (Star Wars: A Ascensão Skywalker). Apesar de ter um sotaque diferente, ela arrebenta ao viver a estrela norte-americana no cinema. A gente acredita que é Whitney ali.


Ascensão e dramas


O longa destrincha momentos felizes de Whitney: assinatura do primeiro contrato, performances históricas, como no American Music Awards - AMA (1994) e no Super Bowl (1991), e na África do Sul após a soltura do líder Nelson Mandela. Também conta a realização de um grande sonho: o nascimento da filha, Bobbi.


Mas nem só de glórias viveu Whitney, o casamento com Bobby Brown é a prova disso. E talvez esteja nessa relação o único erro do filme. Na produção, o cantor é retratado mais como garanhão e menos como um homem violento que incentivou Whitney a adentrar no mundo das drogas. Em uma das últimas cenas, Whitney diz a ele que o culpado pelo vício era ela própria.


O filme acerta ao não explorar a morte e preserva a imagem da cantora encontrada morta no dia 11 de fevereiro de 2012. Ele usa os créditos para contar o que aconteceu: encontrada na banheira de um quarto de hotel, acreditava-se que inicialmente a morte foi acidental, mas exames póstumos identificaram drogas no corpo dela (maconha, difenidramina, alprazolam, ciclobenzaprina e cocaína).


Sua última aparição foi em uma festa no TRU Hollywood Nightclub, quando cantou "Jesus Loves Me" com uma voz bem rouca. Ela estava no Beverly Hilton Hotel para assistir à cerimônia do Grammy, que aconteceria no dia 12 daquele mês.



Romance LGBT


"I Wanna Dance with Somebody: A História de Whitney Houston" mostra uma história pouco explorada: o romance com Robyn Crawford na juventude -- algo que a família da cantora tentou vetar, mas não precisava.


O filme narra essa história com delicadeza e respeito à memória da artista que nunca expôs o romance publicamente. Após o namoro de dois anos, Robyn se tornou sua melhor amiga e produtora criativa, acompanhando Whitney por quase toda a vida.



Trilha sonora


Da era das baladas ao R&B... Nem é preciso dizer que a trilha sonora é espetacular. "I Wanna Dance Somebody", "I Loves You, Porgy", "And I Am Telling You I'm Not Going", "I Have Nothing" estão na lista de sucessos de Whitney que todo mundo ama.


É importante que uma cinebiografia de uma estrela da música mostre a relação intrinseca da música com o artista. Em "I Wanna Dance with Somebody: A História de Whitney Houston", entendemos como Whitney escolhia suas músicas ao lado do produtor e amigo, Clive Davis.



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