Crítica: "Emma.", nova adaptação do romance de Jane Austen, é leve com um toque de ousadia

As adaptações dos romances da Jane Austen são figurinha repetida no mundo do cinema. “Orgulho e Preconceito”, “Razão e Sensibilidade”, “Lady Susan”, “Mansfield Park”, “Persuasão”, “A Abadia de Northanger” e, finalmente, “Emma”. Todos estes livros, escritos pela autora considerada sinônimo de romance, já ganharam incontáveis adaptações cinematográficas.


Em fevereiro deste ano, 2020, uma nova adaptação do livro “Emma” foi lançado. O quarto remake do livro é também o primeiro a ser dirigida por uma mulher. Autumn de Wilde, fez a sua estreia dirigindo a “bonita, inteligente e rica” Emma Woodhouse, interpretada por Anya Taylor-Joy de A Bruxa (2015), Fragmentado (2016) e Vidro (2019). O gênero “romance com toques marcantes de comédia” não é nada novo para o cinema, entretanto “Emma” ganhou aspectos mais atrevidos desde as primeiras cenas.


Crítica: "Emma.", nova adaptação do romance de Jane Austen, é leve com um toque de ousadia

Logo em sua primeira aparição, o Sr. George Knightley, interpretado por Johnny Flynn do seriado LoveSick (2014 - 2018), aparece nu em uma troca de roupas. Algumas cenas depois, Emma levanta a sua saia para se esquentar perto da fogueira. Pequenos indícios de que, embora o filme tenha sido apontado pela crítica como a adaptação mais fiel ao livro, existe uma certa ousadia na direção da Autumn de Wilde.


O filme possui uma sequência linear, ou seja, nada de visitar o passado para contextualizar a história. Tudo o que sabemos (e, de fato, precisamos saber) nos é contado pelos personagens dentro em suas conversas. E o filme tem conversas! Rápidas, lentas, excitantes e entediantes, as cenas com (muito) diálogo fazem parte de toda essa narrativa que nos envolve na história de vida de uma garota que, até então, não tinha nenhuma preocupação.


Tudo começa a mudar quando Miss Taylor, interpretada por Gemma Whelan (a Yara Greyjoy) de Game of Thrones (2011-2019), governanta e melhor amiga de Emma é pedida em casamento pelo Sr. Weston, interpretado pelo Rupert Graves de Sherlock (2011 - presente). A partir deste momento, a garota vê a sua vida passar por diversas situações que, até então, eram desconhecidas pela mesma.


Crítica: "Emma.", nova adaptação do romance de jane Austen, é leve com um toque de ousadia

A chegada de uma nova amiga para Emma é uma dessas situações. Harriet Smith, interpretada por Mia Goth de A Cura (2016) e Suspiria (2018), é uma garota simples que foi abandonada pela família e vive em um orfanato para garotas. A relação das duas é baseada no poder de controle e na obsessão de Emma de juntar casais. Entretanto, diferente do que aconteceu com a sua antiga governanta, Emma não conseguiu acertar em suas escolhas novamente.


O filme, além de bem-humorado, é muito lindo. A cenografia é excepcional e em todas as cenas você se sente dentro da história e, melhor ainda, situado dentro da época em que o filme se passa. O mesmo acontece com os figurinos, de Alexandra Byrne, e caracterização dos personagens. Todas as roupas, penteados e maquiagens tem um porquê bem claro de existir e se encaixam com perfeição dentro da história.


A fotografia do filme me lembrou, em diversos momentos, a estética usada pelo diretor Wes Anderson, de Os Excêntricos Tenenbaums (2001) e Moonrise Kingdom (2012). As cores pastéis e a sensação de iluminação nas cenas me remeteram as cenas dos filmes dirigidos por Wes Anderson e, principalmente, O Grande Hotel Budapeste (2014).


Crítica: "Emma.", nova adaptação do romance de jane Austen, é leve com um toque de ousadia

O corpo de atores é um destaque a parte. Como toda boa produção inglesa, o filme conta com diversos atores já conhecidos de outras produções. A surpresa, entretanto, é que o atores que me chamaram a atenção fazem parte de uma série em particular. Tanya Reynolds e Connor Swindells que interpretam Mrs. Elton e Robert Martin, respectivamente, estão em Sex Education (2019 - presente. Na séries eles interpretam a Lily Iglehart e Adam Groff, respectivamente.


“Emma.” é leve e descontraído. Com certeza um ótimo passatempo para se distrair um pouco e focar nos dramas da vida de uma jovem de 21 anos “bonita, inteligente e rica”. Ele é perfeito para terminar a noite comendo (muita) pipoca e esvaziar a mente.


Confira o trailer do filme:



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