Dua Lipa revive música disco no ótimo álbum “Future Nostalgia”

O novo álbum da britânica Dua Lipa já nasceu aclamado pela crítica e público. “Future Nostalgia” é forte candidato ao melhor álbum POP de 2020. Pode parecer exagero por ainda estarmos em março, mas o CD divulgado oficialmente nas plataformas digitais no último dia 27 apresenta um trabalho coerente sonora e esteticamente.


Dua Lipa devolveu a qualidade que o POP mainstream necessitava em um flashback que nos leva direto às pistas dos anos 80. Assim, a cantora surpreende ao se reinventar e (re)propor a sonoridade de discoteca, estilo atemporal que merece ser revisitado sempre que possível.

Capa do álbum "Future Nostalgia". (Foto: Divulgação)

“Future Nostalgia” é um trabalho bem diferente do seu primeiro álbum lançado em 2017, que apresentou bom desempenho e sucessos como “New Rules”, mas que já parece pequeno diante do novo lançamento. Dua Lipa sai do POP genérico para as pistas disco de maneira inteligente e que pode contribuir para que ela alcance um público novo e diferente.


É um álbum POP que não se esquece de manter o alto nível na letra e melodia. A voz grave da artista é um destaque assim como a parte instrumental cheia de riffs e sintetizadores que nos remetem a músicas de Michael Jackson, na deliciosa “Cool”; Prince, em “Pretty Love”, que é destacada pela guitarra e o electro-pop da batida; e Madonna, em “Hallucinate”, música que mais reverência a festividade disco.


Já na abertura, a faixa-título “Future Nostalgia” mostra o que podemos esperar ao longo das 11 músicas que compõem o disco: é para se movimentar e dançar muito enquanto escutamos letras que abordam empoderamento, sexo, questões internas e sociais. Tudo isso sem ser raso, o que mostra a personalidade sólida da artista e de seu trabalho.

Em seguida, o primeiro single divulgado em novembro de 2019, “Don’t Start Now”, que é uma das melhores do CD, segue com o clima lá no alto. A música já passou de 622 milhões de streamings no Spotify e 200 milhões de visualizações no YouTube. Aliás, “Physical” e “Break My Heart”, que também já haviam sido divulgadas, seguem o mesmo passo com números milionários na web.


A eleição de singles, até o momento, foi muito inteligente. Tanto que “Don’t Start Now” e “Break My Heart” possuem potencial para serem clássicos do POP. A última citada é forte melodicamente ao dar ênfase aos acordes bem elaborados do baixo e também quanto a sua letra por sua carga dramática. Deve ganhar ainda mais força nas performances ao vivo

Mas, de fato, a equipe da artista não precisa pensar muito para escolher os singles. O CD é quase uma máquina de potencial singles. “Levitanting”, por exemplo, é pegajosa no bom sentido, mostrando segurança e leveza como o nome já propõe.. A verdade é que até a sétima faixa, a “Hallucinate”, momento máximo do estilo disco, todas têm potencial de single por manter uma sequência coerente adorável.

A faixa seguinte é a mais futurista, “Love Again” quebra essa sequência e diminui o ritmo, porém apresenta riffs interessantes que se misturam a batida electro-pop presente em quase todo o trabalho. Isso mostra a força do álbum até nos pontos que podem ser vistos como mais fracos.


Em “Good Bed”, encontramos uma Dua Lipa sensual que nos convida a dançar juntinho. É a música onde o vocal grave da artista se destaca mais que a divertida letra e a melodia diferente das demais. No entanto, a que mais destoa da coerente sonoridade do álbum e se aproxima do trabalho anterior da artista é a empoderada “Boys Will Be Boys”, a qual diz que enquanto “garotos seguem sendo garotos, as meninas se tornam mulheres”.

“Future Nostalgia” representa a consolidação da artista de 24 anos no mercado fonográfico e merece nota máxima. Apresenta sonoridade potente ao fusionar POP, disco, electro-pop com pitadas de rock, funk, house e soul. Nem o vazamento do álbum completo na internet, o que provocou o adiantamento da estreia, foi capaz de diminuir o brilho do impacto do trabalho.

Agora, é esperar a turnê do álbum para que esse bom momento da carreira de Dua Lipa seja visto também nos palcos. No entanto, isso só deve acontecer em 2021 devido à pandemia do novo coronavírus. O que não precisaremos aguardar muito é para ouvir a versão deluxe de “Future Nostalgia”, que será lançado na próxima sexta (03/04), como aponta seu perfil no Spotify, pela Warner Music.


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