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DJ Sarah Stenzel sobre mulheres na música eletrônica: "Abrindo portas e oportunidades"

A música eletrônica é um dos estilos mais ouvidos nas plataformas de música e está presente em grandes festivais. Nos últimos anos, cada vez mais mulheres têm surgido nesse mercado e rodado o mundo com seus sets.


Um desses nomes é a DJ brasileira Sarah Stenzel, que marca presença não só em festivais e casas de shows brasileiras, mas também em outros países da Europa.



No papo com o Telas Por Elas, ela avalia o machismo na profissão e diz que enxerga o aumento de profissionais mulheres em cima e atrás dos palcos, comemora a agenda cheia, falar do show no palco Digital Stage do Rock in Rio 2022 e a temporada em Ibiza, destino badalado na Espanha.


Os sets da brasileira são mais underground, quase um ritual como a própria artista descreve. Sarah admira nomes contemporâneos da música eletrônica, como Eli Iwasa e a Jessica Brankka, mas também tem influências de nomes da MPB, como Maria Bethânia e Marisa Monte.


Confira a entrevista completa:


1) O cenário da música eletrônica ainda é marcado por muito machismo. Quais desafios as DJs ainda encontram?


Eu acho que o mercado está abrindo cada vez mais portas e oportunidades para as mulheres. Eu tenho visto mulheres na cena, não só como artistas, mas como produtoras, com managers, como bookers, então percebo como um bom sinal de que nós mulheres estamos cada vez mais dentro desse mercado. E acho que agora o que diferencia cada pessoa nesse mercado é a qualidade do trabalho, o amor e a entrega.


2) Você já vivenciou algum episódio machista? O que aconteceu?


Eu, sim, já vivenciei um episódio machista, onde o rapaz quis ficar me fotografando por trás porque eu estava com um look mais transparente. Eu percebi a intenção das fotos pelo ângulo e forma que ele estava tirando, tive que virar e pedir em tom bem sério para que ele apagasse as fotos na mesma hora.


Posso dizer, ainda bem, esse foi o único episódio desagradável machista que passei na minha carreira até hoje e que agradeço por ter tido apoio na hora dos donos do local, que não só apoiaram na hora, mas também não permitiram que essa pessoa voltasse a tocar na casa. Ele também era DJ.


3) O Rock in Rio foi o maior festival que já tocou. Como foi se apresentar nele?


Tocar no Rock in Rio foi um mar de emoções, foi realmente o festival mais importante da minha carreira e, com certeza, o mais desafiador. Eu preparei muitas coisas novas pra ele, desde a entrada ao figurino, as músicas novas que eu lancei lá. E foi uma noite tão cheia de emoções que não encontro palavras pra definir o que foi, mas o RIR mora no meu coração mesmo. Uma experiencia inexplicável.


4) Além do Rock in Rio, você fez uma temporada recentemente em Ibiza e tem agenda cheia até o Carnaval. O que isso representa para você?


Acho que tem muito sobre isso, sobre as mulheres sendo cada vez mais aceitas na cena. Eu toco uma música mais underground, então a gente pode fazer o que a gente quiser mesmo, da forma que a gente quiser. Agenda cada vez mais cheia é o resultado de um amor e uma verdade que eu deposito em cima do meu trabalho. Para fazer o show acontecer eu tenho que trabalhar com muita pesquisa, com produção, com reciclagem. É um trabalho que é sempre em movimento e eu sou muito isso, sabe, sempre em movimento. É um trabalho que me motiva muito, que me faz levantar todos os dias da cama sorrindo. E tem uma coisa muito interessante que é o fato de eu ser muito diurna e a maioria dos meus trabalhos são noturnos, mas pra mim isso é um desafio tão bom que está tudo lindo (risos).


5) - O que só encontramos nos sets da DJ Sarah?


Nos meus sets eu digo que a gente encontra um ritual, eles representam pra mim uma forma de agregar, melhorar a vida das pessoas, a frequência das pessoas. A minha intenção é que as pessoas saiam da minha apresentação mais leve. Que elas possam se conectar com a minha música e se desconectar da vida real, dos problemas que todos temos. E pra mim é muito gratificante quando eu vejo as mulheres balançando o cabelo na pista eu penso “uau, deu certo!”. É um ritual de amor.


6) Falando da carreira, você lançou músicas novas recentemente. Como tem sido o feedback do público?


O feedback das músicas novas está incrível. São músicas bem ritualísticas, quando a pessoa ouve ela entende bem essa proposta. São músicas que eu tive referência do oriente, da África, de música brasileira e, inclusive uma delas, a Maate, tem um vocal de uma amiga minha em português. E é isso, eu falo de amor, de carinho, de intenção, e as pessoas estão sentindo isso nas minhas músicas.


7) Quem te inspira na música?


Eu tenho várias mulheres que me inspiram no Brasil, todas as minhas colegas de trabalho são maravilhosas, como a Eli Iwasa e a Jessica Brankka. Tem muitas que trabalham na cena em outros setores que me inspiram, mas a minha grande musa da minha vida inteira, que acompanho há anos, é a Maria Bethânia. E também a Marisa Monte, que traz muito desse universo ritual. As duas quando entram no palco é muito ritualístico, a gente sai de lá querendo cantar tudo e eu amo isso.

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