Crítica: “Modern Love” e a decadência das narrativas na segunda temporada

Ah o amor… Desde cedo somos apresentados a este sentimento e ele faz parte da nossa vida constantemente. Amamos a nossa família, amamos nossos amigos, nossos hobbies, nossos parceiros e parceiras. Viver rodeado desse sentimento também meio que nos faz acreditar e buscar algo maior, mais verdadeiro, especial. Daí surgem muitos outros sentimentos: medo, frustração, raiva, decepção. Nos tempos modernos, tudo isso se confunde com a pressa, necessidade de produzir e 1001 distrações. Poético, né? Mas na verdade, essa é só a premissa central do seriado Modern Love.



A primeira temporada, lançada em 2019, chamou a atenção da crítica e dos espectadores por mostrar histórias de amor reais e que se confundem com os tempos modernos. E, bem, não era para menos, a ideia para a criação da série foi uma coluna, de mesmo nome, no The New York Times. Desde 2004, a coluna semanal recebe histórias reais de moradores de Nova York que contam as suas aventuras e desventuras amorosas.


Como sempre atrasada (meu jeitinho rs) só fui conhecer e assistir a séries este ano e me animei demais quando descobri que uma nova temporada já estava à caminho. Hoje, vejo que talvez deveria ter mantido as expectativas um pouco mais baixas – eu explico isso melhor durante o texto, podem ficar tranquilas.


A incrível (e apaixonante) primeira temporada



Pode parecer pretensioso (e talvez possa estar colocando o hype lá nas alturas), mas a verdade é que os primeiros oito episódios da série me deixaram apaixonada e com vontade de viver um romance no meio de uma Nova York agitada e barulhenta. As idas e vindas e reviravoltas propostas nas histórias transformavam cada episódio em um convite a experimentar novas realidades e consumir algo que emocionava muito.


Toda essa emoção, transmitida em cada episódio de uma maneira diferente, transformou a primeira temporada em um sucesso estrondoso. Capítulo a capítulo, fomos apresentados à vida de personagens diferentes da gigante e variada Nova York. Desde as desventuras amorosas de uma jovem que tem no porteiro do seu prédio uma figura quase paternal, passando pela brilhante mulher que sofre de bipolaridade e o casal gay que decide adotar um bebê que ainda está sendo gerado e precisa enfrentar uma relação mais próxima com a mãe da criança.


Tudo isso está lá. Idas e vindas, altos e baixos. A dualidade transforma a série em algo crível, algo que realmente te faça colocar em pauta esse tal de “amor moderno” citado no título do seriado. E, pessoalmente falando, essa é uma das grandes virtudes do seriado. Usar histórias reais como elo. Histórias reais tão hollywoodianas que parecem roteiros bem escritos com muitas reviravoltas e muitos “plots”. E, parece que para fechar tudo com chave de ouro, o elenco pensado para os episódios davam gosto de assistir. Nomes como Anne Hathaway, Tina Fey, Cristin Milioti, Olivia Cooke, Andrew Scott (sim, o padre de Fleabag) e Dev Patel.



Em outras palavras, não faltavam motivos para se apaixonar e terminar cada episódio com um “gostão” de quero mais. E, bem, talvez finalizar a primeira temporada com esse tipo de expectativa para a segunda talvez não tenha sido a melhor maneira de esperar pela continuação da série.


A decepcionante (e apática) segunda temporada



Bem, então vamos lá. Lançada em agosto deste ano, a segunda temporada ganhou os holofotes ainda na fase de produção e, mais ainda, na fase de divulgação e promoção do seriado. Prometendo repetir (e melhorar) as virtudes dos primeiros episódios, a nova leva chegou trazendo nomes de peso no seu elenco. Kit Harington, Lucy Boynton, Zoë Chao, Anna Paquin e Tobias Menzies são alguns nomes que integram esse grupo de atores incríveis que foram chamados.


Mas, além disso, a primeira diferença marcante é que as fronteiras foram expandidas. As histórias contadas na nova temporada não necessariamente se passam na caótica Nova York. E, ok, esse não é um problema tão grande e, no final, eu esperava que fosse até ser algo positivo que ampliasse o leque de histórias e deixasse a gente conhecer mais e mais histórias felizes (ou nem tanto).


De fato, a mudança de ares foi algo que eu fui perdendo o interesse gradativamente e no final já estava completamente chateada pensando que não teria como acontecer a “cena final” (quem já assistiu sabe do que eu estou falando). E esse sentimento foi me incomodando tanto, que no meio da série eu já estava extremamente cansada dos novos cenários e da presença da Europa na série.



Os europeus que me perdoem (ou que não perdoem), mas essa abertura de fronteiras não acrescentou nada para a série. Não sei se a seleção para as história ou a maneira que os produtores, roteiristas e diretores escolheram contar essas tramas, mas tudo gerou um bolo de superficialidade e parece que não fomos à fundo, como na primeira temporada. Não deu para se conectar com os personagens, para se identificar com o que eles estavam passando e esse foi, para mim, o maior erro dessa nova temporada.


No meio de tanta decepção (e longos dias para conseguir finalizar todos os episódios) eu fiquei pensando em qual momento a série me perdeu, em qual momento eu perdi completamente o brilho pelas histórias. Acho que, talvez, do primeiro para o segundo ou do segundo para o terceiro episódio. Só sei que o entusiasmo não voltou e que me forcei a assistir os oito episódios só para poder escrever este texto (realmente não é uma boa maneira de assistir uma série.


Minha recomendação é para aqueles que ainda não conhecem a série curtam e se apaixonem por cada um dos personagens da primeira temporada, mas não coloquem nenhuma expectativa se desejarem seguir para a segunda. Para quem já assistiu aos primeiros episódios e está aguardando um tempo livre para ver os novos, eu indico que você procure outra coisa para assistir porque as chances de se decepcionar são enormes.



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