Crítica: Maite Perroni, crime, mistério... 'Desejo Sombrio 2' vale a pena?

Depois de bastante espera, finalmente a segunda temporada da série "Desejo Sombrio" chegou ao catálogo da Netflix na semana passada. A série original da plataforma de streaming alcançou números impressionantes em 2020 e, durante meses, foi a série off EUA mais vista ao redor do mundo. Agora, não está sendo diferente e a produção já alcançou top 10 em mais de 75 países.


Leia a crítica da primeira temporada de "Desejo Sombrio"


Protagonizada por Maite Perroni e Alejandro Speitzer, os novos capítulos repetem a fórmula de sucesso da primeira: muito mistério, cenas de sexo, um novo quem matou? e alguns erros como a sucessiva mudança de rumo da narrativa, deixando o espectador confuso. Então, se você gostou da primeira temporada, você também vai aprovar a segunda e última do thriller mexicano. A Netflix já confirmou que a série chegou ao fim e Maite, inclusive, está envolvida em uma nova produção, o suspense chamado "Tríade".



Na primeira temporada, Alma Solares (Perroni) se envolveu com Dario Guerra (Speitzer), um homem 20 mais novo e passou por diversos acontecimentos indesejados após a morte da amiga Brenda. Agora, Alma retorna totalmente perturbada pelas lembranças quentes com Dario. Ela acredita que o amante está morto após incêndio em uma fábrica, mas, na verdade, o episódio foi forjado por Esteban para que os dois "sócios" pudessem correr atrás da herança do próprio Dario como mostrado no final da temporada de estreia.


Não é à toa que Alma passa a frequentar reuniões de anônimas que passaram por relacionamentos abusivos. Separa do agora ex-marido, Leonardo (Jorge Poza), ela está vulnerável, perdeu seu emprego com professora universitária e sua carreira como advogada de prestigio. A relação com a filha, Zoe (Regina Pavón), também não é das melhores. A situação piora quando ela descobre que Dario está vivo e prestes a se casar com Julieta (Ariana Saavedra).


Mas a paixão com toques de loucura de Alma pelo manipulador Dario não é algo inédito. De novidade, na segunda temporada, a série apresenta novos personagens, maior foco nas investigações policiais, o debate em torno da obsessão provocada pelo desejo e como isso pode deixar uma pessoa vulnerável, principalmente nas conversas de Alma com a psicóloga, um ponto positivo da produção. As cenas de sexo continuam, porém em menor quantidade. Além disso, a série reserva um final bobo criado por Letícia López, autora da série, que pode decepcionar parte dos telespectadores.


"Quem matou?"


Se na primeira temporada, o grande mistério era desvendar quem matou Brenda, que, na verdade, se suicidou depois de diversas desilusões amorosas, a narrativa da segunda temporada é conduzida por uma nova morte misteriosa, a de Julieta, momentos antes de subir ao altar com Dario. É um novo suicídio ou houve um homicídio na casa? Apesar de batida, a fórmula de ter um assassinato e correr atrás do bandido ainda parece funcionar.


Muitos mistérios


Mas a morte de Julieta é só um dos mistérios que conduzem "Desejo Sombrio 2". Toda a temporada é cortada pelo mistério em torno ao passado de Dario: o que, de fato, aconteceu com seus pais biológicos? Qual é a sua verdadeira relação com a mãe adotiva, Lys? Dario foi traído por Esteban ou o contrário? Dario está rico ou pobre? Está com sua herança ou não? Existem dois Darios, sendo um "malvadão'?


São tantos mistérios que acaba levando um telespectador não tão atento a desistir da série por não entender o que está passando. Os primeiros capítulos, em especial, são desestimulantes nesse quesito. Mas, com o decorrer dos episódios, a série começa a ganhar fôlego e a despertar a curiosidade do público em desvendar antes da polícia, o que não é muito difícil já que a inspetora Eugenia Montaño (Mahoalli Nassourou) não acerta uma sem a ajuda de Esteban.


Afinal, vale a pena?


Se você curtiu a primeira temporada, vá em frente. A segunda temporada promete entregar o que interessa a você. Maite Perroni, mais uma vez, é o destaque do elenco, assim como Erik Heiser na pele do investigador de polícia aposentado (mas nem tanto) Esteban, homem apaixonado por Alma desde a adolescência, mas que tem de se confortar em vê-la casada com seu irmão.


Na segunda temporada, o personagem retorna crente em Deus após episódio traumático. Catherine Siachoque, intérprete de Lys, é a novidade no elenco que se destaca, ao contrário de Arturo Barba, que dá uma interpretação morna ao bobão Iñígo, pai da vítima, Julieta.


Além do elenco, a fotografia e trilha sonora também merecem elogios e desempenham papel importante na manutenção do suspense. Outro ponto interessante é o uso de flashbacks em momento oportunos. Apesar de ser um recurso utilizado em grande quantidade, é necessário para resgatar algumas cenas que não podem ser esquecidas em meio ao vai e vem da série.


A série peca realmente no desfecho e na duração. Seria possível contar a história com menos episódios e menos enrolação. Afinal, para que tanto vai e vem? Se você não curtiu a primeira temporada, é melhor seguir para outra.


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Desfecho bobo


Assim como na primeira temporada, a série vai e vem para despistar quem realmente cometeu o homicídio que conduz a história e tenta trazer um desfecho inesperado. No entanto, nesse quesito, a série infelizmente desaponta. Talvez, seja o pior momento da história.


Depois de tantas voltas, sugerir suicídio e na sequência apontar suspeitos como Dario, Alma e Lys, a série mostra que quem quem matou Julieta foi a pessoa mais previsível: Dario. E como sempre a revelação com todas letras só acontece nos últimos capítulos, em especial, nos dois últimos. E a confissão veio verbalmente após Alma armar um plano para imobilizar o vilão e injetar um líquido em sua veia que provoca dizer apenas a verdade. Sim, nada muito criativo.