Crítica: Com escolhas inusitadas, Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo é uma boa pedida

Seguindo na onda das produções interativas, o longa “Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo” (2020), estreou na última quarta-feira (05) após três meses do lançamento nos EUA.



Com direção de Claire Scalon, que já dirigiu episódios de The Office (2005 - 2013), GLOW (2017 - ), Brooklyn Nine-Nine (2013 - ) e do próprio seriado Unbreakable Kimmy Schmidt (2015 - 2019), o filme funciona como uma continuação da série, encerrada após a quarta temporada, e mostra os inusitados dias que antecedem o casamento de Kimmy (Ellie Kemper).


O roteiro, criado e escrito por Tina Fey, roteirista de Garotas Malvadas (2014), e Robert Carlock, que trabalhou na sitcom Friends (1994 - 2004), mantém todo o dinamismo e as características de cada personagem que os fãs já conheciam na série. A novidade ficou por conta da função interativa, que permite que quem estiver assistindo faça algumas escolhas acerca do rumo da história.



De onde surgiu essa tal da interatividade?


Em 2018, a Netflix anunciou o lançamento de “Black Mirror: Bandersnatch”, o primeiro filme adulto a ganhar essa função. Bem Black Mirror, né? Mas, o que você não deve saber é que antes disso essa interatividade já era usada na criação de conteúdos infantis, como é o caso das produções “Minecraft – Story Mode” (2015), “Gato de Botas – Preso num Conto Épico” (2017) e “Buddy Thunder Struck – A Pilha do Talvez” (2017).


O pretexto usado nessas histórias infantis é o mesmo que nas duas produções adultas: você pode fazer algumas opções, entretanto, algumas delas fazem você avançar na história (de acordo com o roteiro) e outras causam desde o fim da história até a morte dos personagens, e você precisa regredir e fazer outra opção.


No filme Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo, as opções tidas como “certas” buscam firmar as características dos personagens, a história e a mensagem que vimos em todas as temporadas da série. Desta forma, ao fazer uma escolha que não condiz com a personalidade de certo personagem você acaba chegando a um final indesejado e/ou recebendo uma bronca.



Confesso que não sou muito fã desta ferramenta e que consegui encerrar a história do jeito “errado” nos primeiros 20 minutos do filme na primeira tentativa e, na segunda, não passei dos primeiros 10. Com o tempo (e a limitação de opções) eu fui pegando o jeito. Mas não posso negar que algumas escolhas levam a momentos inesperados, engraçados e surreais. Então, meio que vale a pena se equivocar um pouco.


Tá, beleza. Mas qual a história do filme?


Se você não conhece a premissa do seriado, você pode ficar um pouco perdido ao assistir ao filme. Isso porque, como eu havia dito, ele funciona mais como uma continuação do que como um spin off. Mas, se assim como eu, você assistiu apenas às primeiras temporadas e gostaria de saber o final (?) dessa jornada, dá para entender perfeitamente, já que o longa deu preferência em trazer os personagens primários da séria nesta adaptação.



A história começa três dias antes do casamento de Kimmy com o Prince Frederick (Daniel Radcliffe), que é o 12º na linha de sucessão ao trono na Realeza Britânica. Entretanto, ao Kimmy encontrar um livro em um compartimento secreto na Jan, sua mochila, ela descobre que o Reverendo Richard (Jon Hamm) pode ter mantido outro bunker com mulheres toupeiras presas em algum lugar. Com seu espírito de heroína, ela decide ir atrás dessa pista e buscar, encontrar e libertar essas mulheres.


É daí que essa história começa a se desenrolar e temos que, ao longo do filme, fazer escolhas que não refletem apenas na jornada de Kimmy, mas também nos preparativos para o casamento e na tentativa de Jacqueline (Jane Krakowski) de manter o emprego de Titus (Tituss Burgess) em um filme de ação. No final do filme, você descobre que tudo pode estar mais conectado do que você pensa.


No final de tudo...


Unbreakable Kimmy Schmidt: Kimmy x Reverendo é um encontro muito agradável que revive os personagens que conquistaram muitos fãs e que, vamos combinar, entregam um humor bem agradável. Vale a pena assistir ao filme e acompanhar o desfecho da história da ex-mulher toupeira que conquistou o mundo.


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