Crítica: "Chromatica" marca retorno triunfal de Lady Gaga ao POP

Há pouco mais de um ano, Lady Gaga ganhava o Oscar de Melhor Canção Original por "Shallow", trilha sonora do filme Nasce Uma Estrela, no qual também concorria como Melhor Atriz. Agora, a cantora troca a pegada country-rock pela electropop em “Chromatica”, retornando ao universo que a consagrou como uma das maiores artistas do mundo.


O disco seria lançado em abril, mas foi adiado para o dia 29 de maio. Lady Gaga estava destinando seu tempo a ajudar os mais necessitados durante a pandemia do novo coronavírus. Junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) e ao Global Citizen, ela organizou o festival online “One World: Together At Home”, o qual arrecadou mais de US$ 127,9 milhões.


Apesar do adiamento, conhecemos três faixas antes do lançamento oficial: a dançante “Stupid Love”, que fala das loucuras de amar; a futurista ”Rain On Me”, em dueto com Ariana Grande; e a música com batidas bem marcadas “Sour Candy”, em parceria com o grupo de k-pop BLACKPINK.



Essas três músicas já nos mostravam que o CD seria repleto de músicas para dançar. Em tempos de isolamento social, as 16 faixas do álbum praticamente nos convidam a arrastar os móveis da sala e a sair bailando por aí.


Segundo a artista, “Chromatica” foi escrito em um momento marcante e triste de sua vida, pois ela passava por um período de depressão, servindo para curar certas feridas. É um álbum com forte apelo biográfico ao contar parte da trajetória pessoal da artista de 34 anos de idade.


A cantora ainda destaca a relevância do trabalho por abordar temas importantes, como como feminismo, consumo de remédios e relações amorosas. É um disco que tem todas as cores, todos os sons ao falar de inclusão.


O disco fala de cura e valentia. Quando falamos de amor, acredito que é muito importante incluir também o fato de que amar alguém requer muita valentia.


Elton John se une as colaborações do disco em uma faixa mais melancólica que as demais. “Sine From Above” apresenta letra forte: “Quando eu era jovem, eu me sentia imortal / E não se passou um dia sem luta / Eu vivi meus dias apenas pelas noites por falar”.


Mas a canção já seria forte o suficiente só por unir dois grandes artistas que marcaram duas gerações: o homem que chamou atenção pelos óculos e roupa brilhantes no século passado e a mulher que chamou atenção pelas música e roupas exóticas.


“Babylon”, que tem uma pegada no estilo da Madonna, é outra faixa que se destaca pela potência da letra. Em entrevista a Apple Music, ela disse que essa música a salvou. Em um trecho, ela diz: “Desfile, ande um quilômetro / Arrase, no estilo cidade antiga / Fale, tagarele / Batalhe pela sua vida”. É um pedido por liberdade.


“911” também apresenta tom biográfico ao citar o número de emergências que Gaga revela já ter chamado inúmeras vezes para se salvar "das piores coisas" que vem dela própria.


Outra faixa que vem recebendo maior atenção dos fãs é “Alice”, na qual diz “Meu nome não é Alice / Mas eu continuarei procurando o País das Maravilhas”. “Já “Enigma” é o ápice da voz grave de Lady gaga se destaca bem e “Free Womem” exalta a liberdade feminina.



A verdade é que “Chromatica” tem tudo o que os fãs querem. É excessivo desde a melodia à estética visual dos clipes. Sim, a palavra excesso é o que resume os recursos utilizados pelo disco produzido por BloodPop. Beats e melodias baladeiras, muitos sintetizadores, falsetes e voz robotizada. Tudo para converter as tracks do sexto álbum de Lady Gaga em sons obrigatórios em qualquer balada pop do mundo.


Os interlúdios “Chromatica I”, “Chromatica II” e “Chromatica III” dividem o disco em três atos como se fosse uma obra teatral. Funciona também como um tempo de respiro, o que faz bem a audição do disco. Tira o ar excessivo que algumas faixas podem deixar quando escutadas em sequência.


“Chromatica" leva Gaga de volta a 2008, quando iniciou sua trajetória fonográfica com grandes sucessos nos dois primeiros discos, porém de maneira mais adulta porque ela não é a mesma mulher de 12 anos atrás. Dessa vez, ela retorna às paradas de sucesso e leva mensagens importantes a tantas pessoas que seguem seu trabalho. Ainda mostra que a música pode nos ajudar a superar problemas como a depressão. São 40 minutos da música de uma mulher adulta que enfrenta seus medos e problemas em um baile POP.


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