Crítica: Vanessa da Mata levou show solar à Niterói

Em show destinado ao Dia Internacional da Mulher em Niterói, região metropolitana do Rio, Vanessa da Mata propôs uma celebração ao amor leve e radiante. Ela mostrou que amar deve ser um verbo que permite voos e rodopios sorridentes como os da própria cantora no palco.


O show “Quando Deixamos Nossos Beijos na Esquina”, nome do seu último disco (2019), é bem elaborado desde a montagem do cenário até a seleção das músicas. Os objetos no palco e vestuário da cantora e banda, tudo na cor vermelha, chamam atenção por expressar a estética proposta pela artista de maneira coerente, que dança e atua ao longo de todo show.


Foto: Vanessa Barcellos / Telas Por Elas


Ela abriu o show com a agitada “Tenha dó de mim”, música swingada gravada com o rapper Baco Exu do Blues. Em seguida, o ótimo samba “Debaixo da saia dela” ganhou mais força no palco em comparação a versão em estúdio. Em “Nossa geração”, terceira música apresentada, ela simulou gestos de armas e se jogou no chão propositalmente, dando teatralidade à canção. “Vá com Deus” também se destaca pela mesma característica cênica. Ambas ganharam brilho.


Aliás, as letras dessas duas últimas músicas citadas propõem reflexões. A primeira afirma que a nossa geração “mata o diferente, padroniza frutos, flores e gente”, além de ser ensinada a achar o sexo sujo. Já na abertura da segunda, que fala de se ter amor próprio e abandonar relacionamentos tóxicos, ela questionou "a carência louca das pessoas preferirem mais os outros que há si mesmo" e se posicionou contra os casos de desrespeito e violência contra a mulher.


Foto: Vanessa Barcellos / Telas Por Elas


Vanessa mostrou que debaixo da saia dela tem espaço para diferentes gêneros. Os arranjos tocados pela banda afiada vão da MPB ao rock, passando pelo POP e reggae. O som da guitarra e da percussão evidencia a brasilidade da mato-grossense de 44 anos, que teve até jogo de cintura quando esqueceu parte da letra de “Céu Azul”, cover da banda Charlie Brown Jr.


Ainda teve espaço para a fusão de sertanejo e rock, com o cover “Vá para o inferno com o seu amor”, que está no repertório desde a turnê passada, Caixinha de Música. “Leãozinho”, de Caetano Veloso e David Byrne, completou a lista de releituras com um momento bem intimista. Assim como “O mundo para Felipe”, música composta por Vanessa para o filho quando estava morando fora do país. “Sofri um pouco”, comentou.


Foto: Vanessa Barcellos / Telas Por Elas


Ela também contagiou o público de 10 mil pessoas, segundo a Prefeitura de Niterói, com os hits dos seus quase 20 anos de carreira fonográfica. “Amado”, “Boa Sorte”, “Não Me Deixe Só”, “Ainda Bem” e “Ai ai ai” são alguns dos exemplos, sendo as músicas mais cantadas pela plateia.


O primeiro single e grande sucesso do disco, “Só Você E Eu”, também foi cantado pelo público mostrando que a potência artística de Vanessa segue forte e popular. Ao terminar de cantá-la, ela brincou que Roberto Carlos poderia ter escrito essa música. “Ela é boa demais, eu fui fundo”, disse.



Foto: Vanessa Barcellos / Telas Por Elas


“Segue o som”, “Gente feliz”, “Dance reggae comigo” e a ótima faixa-título também foram apresentadas no show. Vanessa foi acompanhada por Mauricio Pacheco, Rodrigo Braga e Ruvicio Santos, além de Ana Lima e Gil Miranda nos vocais. O espetáculo tem direção musical de Pacheco.


O amor presente no disco e na turnê “Quando Deixamos Nossos Beijos na Esquina” é sinônimo de amor próprio, amor maternal e também amor carnal, mas que sempre faz bem. Afinal, amor não deve rimar com dor como diz a canção “Vá com Deus”.


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