Crítica: um TWICE bem sóbrio descobre o gosto do amor em "Alcohol-Free"

A bossa nova de Alcohol-Free pegou todo mundo de surpresa na última quarta-feira (9): então essa é a faixa-título do novo lançamento do TWICE em pleno verão coreano? Para os indignados de plantão, a resposta é sim.


Taste of Love, o 10º mini-album do girl group da JYP, estreou na sexta-feira (11) com cinco b-sides, todas com participação de pelo menos uma integrante nas letras. Confira a seguir o que achamos do novo CD do TWICE.

Eu vou fazer as coisas um pouco diferentes dessa vez. Eu costumo apresentar um pouco o contexto do álbum, depois vou para o faixa-a-faixa e fecho com a conclusão. Agora, porém, gostaria de começar já entregando o que achei do conjunto da obra do Taste of Love porque muita gente o julgou só pela faixa-título e, poxa, não faça isso com o meu TWICE.


Enfim: Taste of Love não é um EP ruim. É isso. Alcohol-Free é uma faixa-título fraca? Sim, mas ela não é de todo ruim. Ela não é mal produzida, diferente de alguns girl groups com bombas horrorosas já comentei neste blog. Ela só é despretensiosa demais, o que é um péssimo lançamento para um grupo do naipe do TWICE — ao mesmo tempo, reconheço que justamente pelo renome delas que elas podem se “arriscar” assim. Mas, cacete, JYP, essa é a segunda música ruim que você produz e elege faixa-título neste ano; não bastou estragar o ITZY não?


No mais, vale escutar as outras faixas. O álbum não é tão bom quanto o Eyes Wide Open (2020), mas ninguém esperava que o TWICE superasse um disco tão bom assim tão rápido, né? O Taste of Love é um trabalho consistente na linha de amadurecimento do girl group, e não é à toa que o nome do lançamento lembra o querido What is Love? (2018).


Bora descobrir o sabor do amor?


Taste of Love: faixa-a-faixa



A infame Alcohol-Free, escrita e composta por JYP, traz um clima de verão com a clara influência da Bossa Nova. Eu vi tacarem tanto terror para cima da música que estava esperando algo decepcionante e insuportável, tipo Signal ou I’m Gonna Be A Star (sim, desenterrei essa lá do fundo do baú), só que veio… Uma canção em que nada acontece com uma mensagem bobinha estilo “não bebo álcool, mas seu amor me deixa bêbada”.


Como já disse, a música em si não é ruim, mas ela não tem aquela vibe faixa-título. Os versos, ponte e refrão são bem uniformes e eu até achei isso interessante porque — bom — a Bossa Nova é bem música de elevador, com melodias em que não acontecem muitas coisas — exatamente o oposto do k-pop.


O MV de Alcohol-Free foi gravado na lindíssima Ilha de Jeju, e todo mundo elogiou os visuais. Eu achei bem OK para a discografia do TWICE, por mais que os CGI tenham ficado bem cafonas numas partes. Beleza, não ficou no nível de horror da bagunça de I Can’t Stop Me, mas a produção estragou um clipe bem simples tentando deixá-lo hiper-enfeitado. Ai, Bia, você está sendo chata! Será que eu estou mesmo?? Saca só o print abaixo do MV. Pois é.


First Time causou mó auê por listar a Jade Thirlwall, do Little Mix, como uma das compositoras da faixa, enquanto Jihyo assina a letra. A música tem influências do R&B e, na minha opinião, é a faixa que mais se perde no conjunto. Ao mesmo tempo, devo reconhecer aqui a perfeição da Jihyo no refrão, mas tenho sentimentos conflitantes com os “heys” que aparecem mais para o final da música.



First Time para mim é o “aquecimento” do Taste of Love, junto de Alcohol-Free. A partir daqui, as faixas são bem menos contidas, e completamente entregues ao synth-pop — o que não é algo ruim.



Scandal é a minha música favorita do EP — até agora. A verdade é que ela não inventa a roda nem nada; é uma faixa bem básica com aquele refrão em inglês que todo mundo gosta, e a métrica do “baby we’re a scandal, way too hot to handle” simplesmente me atraiu de primeira — obrigadão pelo ótimo trabalho, Dahyun, com a letra.



Conversation é um pop gostoso com letra da Sana, e é isso. Eu não sei mais o que falar. Conversation e Scandal servem como uma espécie de ponte entre as duas faixas iniciais mais “calmas” e “chill” do Taste of Love para crescer o ritmo do álbum e chegar ao final bem glorioso e contrastante com o começo.



Baby Blue Love tem uma batida bem animada e instrumental poderoso, com uma pegada mais dançante. O refrão tem uns staccatos na vocalização bem interessantes, e no final a melodia é o que chama mais a atenção.



SOS fecha o EP com uma fórmula que lembra Scandal, com um refrão-chiclete em inglês. Ela é uma faixa bem feliz e com aquele ar animado (mas mais maduro) que o TWICE vem mostrando há uns comebacks já. Eu gostei da ideia de não terminar o Taste of Love “para baixo”, com alguma música mais calma — diferentemente do que elas fizeram no Eyes Wide Open, por exemplo.






____

Quer saber nossas impressões sobre diversas obras das mulheres na cultura? Cinema, música, literatura, teatro e muito mais. Tudo isso, duas vezes por semana, na categoria “Crítica”.