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Crítica: "Resident Evil - A Série" dá pena e ninguém quer uma 2ª temporada

Resident Evil: A Série estreou na Netflix nesta quinta-feira (14) com a promessa de aprofundar a história dos jogos de zumbi, mas já podemos ver que ela não foi bem recebida: o Rotten Tomatoes dá 53% de aprovação da crítica especializada, e pavorosos 23% do público até então.


Com a pressão de agradar fãs e honrar a franquia japonesa de jogos de terror de sobrevivência, temos que reconhecer que a série devia cumprir uma missão quase impossível. Porém, é impossível não achar impressionante como a produção errou tanto.

Os oito episódios de Resident Evil alternam entre presente e passado. Nós acompanhamos duas linhas temporais: uma para conhecer o mundo pós-pandemia onde a humanidade é ameaçada por monstros, e outra para entender como o T-Vírus se disseminou além dos muros da Umbrella Corporation. A ideia dos flashbacks é gerar expectativa e curiosidade, mas o artifício terminou tendo o efeito contrário: o vai-e-vem temporal rompe o suspense em inúmeras cenas e denuncia como o roteiro da série é previsível.


Resident Evil é conhecido por seus jumpscares e monstros de dar medo em qualquer um, então é inesperado que a série exiba o início da pandemia do T-Vírus do ponto de vista de duas adolescentes: Billie e Jade Wesker. A série aborda dilemas comuns da puberdade, paixões na escola e bullying enquanto mostra os bastidores da Umbrella. Essa foi uma decisão arriscada porque não consigo pensar em ninguém que gostaria de assistir a medos bobos de adolescentes tipo “minha irmã não presta mais atenção em mim” na série de uma franquia famosa por violência e terror. A impressão final que os flashbacks high school deixaram em mim é que eu estava assistindo a uma série teen de alto orçamento apoiado gratuitamente no nome de uma grande franquia sem contexto nenhum.


Apesar da linha do presente trazer muitas perseguições de infectados para agradar os fãs de ação, Resident Evil termina fazendo um malabarismo para conciliar temáticas discrepantes que nem mesmo são típicas da franquia. Pior ainda são os momentos de alívio cômico que não são nem um pouco engraçados. Muitos deles acontecem de forma abrupta e não causam nenhuma reação, sendo que em algumas cenas é uma clara tentativa de chocar — como durante (spoiler!) a revelação de que Albert Wesker é um clone. Isso só enfatiza a falta de consistência do roteiro e o desespero da produção em agradar gente demais.

Foto: Divulgação

Para não falar apenas coisas negativas, eu posso elogiar alguns pontos da série que me impediram de dar zero diamantes para Resident Evil. A trilha sonora é atualizada e interessante, e nessa parte eu estou sendo clubista porque adorei ouvir Halsey e Billie Eilish. O elenco também está de parabéns, apesar do roteiro com que trabalharam ser tão ruim.


Teve um pequeno burburinho quando anunciaram os artistas e foi revelado que o ator de Albert Wesker seria preto (sendo que o personagem é branco nos jogos), e a maior ironia terminou sendo que Lance Reddick. O elenco é cheio de representatividade, com pretos, árabes, latinas, asiáticos e mais — além de abordar o casamento gay —, então é realmente uma pena que tantos atores bons, como Paola Núñez, Adeline Rudolph, Connor Gosatti e Siena Agudong, vieram parar numa produção tão ruim.


No mais, não consigo apontar mais nada de bom. O final da série insinua uma futura aparição de Ada Wong, mas será que Resident Evil terá uma segunda temporada para cumprir essa promessa?

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