Crítica: "Guess Who" mostra o ITZY na máfia com "In The Morning"

O ITZY voltou na última semana com Guess Who, EP que traz In The Morning como faixa-título. As vendas do mini-álbum ultrapassaram Not Shy, lançamento anterior do girl group da JYP, com 260 mil unidades garantidas na pré-venda, se tornando o disco mais vendido de Yeji, Lia, Ryujin, Chaeryeong e Yuna. Mas será que o Guess Who é uma boa sequência para Not Shy? Confira nossa opinião na resenha abaixo.


Divulgação/JYP Entertainment

Apresentando o Guess Who


Guess Who é o quarto mini-álbum do ITZY. Ele chega com a missão de compensar a mornidão de Not Shy, último comeback do girl group da JYP. Eu pessoalmente curto Not Shy, por mais que o som não seja tão dinâmico quanto ICY ou Wannabe, mas o fandom todo abomina essa música, então fazer o quê? O EP traz seis faixas e segue a linha já conhecida do ITZY: uma mistura de EDM com hip-hop e letras sobre ser uma fodona confiante.


Mas, afinal, o que significa o “guess who” do ITZY? Adivinhar quem, o quê? A pergunta se conecta ao Jogo da Máfia (que inspirou o nome da faixa-título em coreano, Mafia in the Morning), mais conhecido no Brasil como Cidade Dorme. Ela se refere ao questionamento de descobrir quem é o assassino responsável pelas mortes no jogo. A brincadeira se liga ao conceito do ITZY pela ideia delas mostrarem um lado diferente com esse mini-álbum.


Divulgação/JYP Entertainment

A intenção é reforçada pela venda de duas edições do disco — chamadas “dia” e “noite” para mostrar bem essa questão das meninas serem boazinhas e más —, cada versão ilustrando uma personalidade diferente do ITZY. O conceito é original e inédito? Não.


Logo nos teasers eu adorei a brincadeira de design das interrogações substituírem o S da palavra guess, mas a minha apreciação pelo visual do álbum parou por aí mesmo. Que capa é essa? Ela não conta nada do conceito do comeback, e nem é bonita visualmente falando. As fotos são impecáveis, claro, mas a montagem não faz nenhum sentido nem comunica nada com nada. Honestamente, a única coisa boa da capa do Guess Who são os nomes das meninas acompanhados das imagens para ajudar os bebês midzy a identificarem as integrantes.


Guess Who: faixa a faixa



In The Morning (o título internacional perdeu a palavra “máfia” do original em coreano) é… Diferente. Como a própria Lia explicou em entrevista (porque ela sabia que a bateção de panela não ia descer bem com os fãs), “Eu estou ansiosa para os fãs ficarem surpresos, porque quando ouvimos a música pela primeira vez, achamos o estilo bem diferente do que já fizemos”.


Ou seja, temos aqui uma faixa pegando pesado no trap e hip-hop que não combina nada com o ITZY. Teve gente comparando com How You Like That do BLACKPINK por seguirem a mesma linha de refrão corta-barato (tem até a onomatopeia sem sentido no meio!), ou com as confusões musicais do Stray Kids (só que às vezes eles acertam, a gente tem que reconhecer isso). Vemos aqui que o JYP mantém firme e forte sua tradição de entregar músicas de qualidade duvidosa para os girl groups da empresa (viu, TWICE, Signal podia ter sido ainda pior).



O MV é bem produzido, tem todo o conceito das personalidades duais, mas se perde porque passa tudo muito rápido. A transição de danças com cortes de cena ficou um pouco bagunçada em alguns pontos, mas em outros funcionou muito bem. A coreografia é boa, como já era esperado do ITZY, e traz a clássica pose final da coroa para agradar todo mundo. O ponto visual que mais me incomodou foi a (falta de) expressão facial das meninas. Diferente dos outros comebacks, que eram apenas garotas fodonas, agora elas devem nos convencer que são más e — bom — elas não conseguem fazer isso.


O que resta é uma música que eu comecei a gostar um pouco mais na segunda vez que ouvi (ou será que eu me acostumei com ela?), mas isso não anula a minha decepção com um lançamento desses depois de Not Shy. Eu não esperava uma nova Wannabe porque seria pedir demais, mas como o grupo errou tão feio?



Sorry Not Sorry é definida na apresentação do Guess Who como uma "canção impressionante", o que quer dizer que é uma barulheira que só. O refrão tem informação demais, vozes demais, synths demais. Por isso, terminei gostando dos outros versos, que são mais “limpos”. Poderia criticar mais essa faixa, mas é de praxe o ITZY ter uma bagunça dessas nos EPs (oi, I Don’t Wanna Dance, turupon?), então nem vale me prolongar aqui.



Kidding Me terminou sendo a minha faixa preferida do Guess Who. A letra não é nada digna de atenção — é algo sobre elas serem super decididas e não terem tempo para homens que só ficam de brincadeira em vez de pegá-las logo —, mas a sonoridade finalmente funciona com a proposta empoderadora do ITZY.


O pré-refrão é bem legal, e o refrão em si não é barulhento como Sorry Not Sorry, o que já é um bônus. O rap é concentrado nos versos (coisa que não acontece na faixa anterior), então o refrão termina mais acessível, por assim dizer. O ponto alto, na minha opinião, foi após a ponte, quando há um instante apenas com a batida antes das garotas voltarem a cantar o refrão. Às vezes menos é mais.



Wild Wild West, como o próprio nome denuncia, é um aceno ao mundo ocidental — mais especificamente, aos Estados Unidos. A JYP descreve a música como “uma faixa fascinante com loops de guitarra e um som rico que lembra a música ocidental americana”, e ela é bem isso mesmo.


ITZY canta algo sobre serem rudes e não saberem falar bonito, então elas são “wild wild west” (o que quer que isso queira dizer), e o refrão traz várias palavras em inglês que grudam feito chiclete e ajudam a memorizar a canção com mais facilidade. O rap da Ryujin é a parte mais satisfatória da faixa (e, de fato, o loop de guitarra é bem interessante).



SHOOT! soa bem diferente e parece um experimento que deu mais certo do que In The Morning — ela até poderia ter sido a faixa-título, uma pena que é extremamente curta. O refrão distribui bem os versos entre todas as integrantes, algo que sempre aprecio por gostar de ouvir todo mundo do grupo. O rap da Ryujin chama atenção porque ela muda bastante o tom de voz ao longo dos versos, mas ele não me pegou dessa vez — o refrão termina sendo o melhor de SHOOT!, mesmo.



TENNIS (0:0) é uma surpresa agradável. Não consigo descrevê-la de outra forma. O R&B dá uma folga no trap e hip-hop que domina Guess Who, e é uma pena que haja apenas uma faixa assim — e logo no final do disco. A letra traz uma metáfora fofa de uma partida de tênis, e melodia e vocais acompanham bem essa ideia de “calmaria”. As midzy podem se animar com a Ryujin vocal (pois é, não deram nenhum rap para ela dessa vez), e um verso em especial me pegou (“Here I go smashing, smashing”) porque pois é, o ITZY tem vozes boas quando conseguimos de fato ouvi-las sem aquelas batidas doidas.


Guess who nunca mais vai ouvir esse EP?


Nunca achei o ITZY um grupo forte em B-sides, e falo isso plena porque já vi muita gente compartilhar dessa opinião. Infelizmente, não foi dessa vez com o Guess Who que elas ampliaram a discografia com faixas mais interessantes (além das título, é claro).


Kidding Me pode ter sido a minha favorita e TENNIS (0:0) é um sopro de ar fresco, mas acho que semana que vem eu já terei esquecido desse comeback. O máximo que devo lembrar é a minha decepção com In The Morning.




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