Crítica "Fate: A Saga Winx": 2ª temporada revela mistérios, mas não se salva com roteiro fraco

"Fate: A Saga Winx" liberou sua 2ª temporada, com sete episódios, na última sexta-feira (16). Continuamos um pouco depois de onde paramos, ainda em 2020, com Bloom (Abigail Cowen) atrás de mais informações sobre o seu passado e o retorno oficial de Rosalind (Miranda Richardson), a diretora do mal que ficou congelada por anos.


A verdade é que, assim como a 1ª parte, "Fate" tem vários problemas, que vão do enredo fraco, roteiro com grandes buracos e atuação e efeitos especiais zero convincentes. Sinceramente, nem curto destilar críticas sobre produções que agradam ao seu público, mas como uma telespectadora, que se interessou por metade da temporada, me sinto no direito de registrar o que não curti nos novos episódios.


Confira a crítica completa - e com SPOILERS!


Tudo o que achamos da 2ª temporada de "Fate: A Saga Winx" (Reprodução: Netflix)

Atuação ou roteiro ruim? Talvez os dois


"Fate: A Saga Winx" aposta em uma receita de bolo repetida, que fica extremamente enjoativa. Os novos personagens, que achávamos que podíamos confiar, são quase todos vilões. Depois da revelação de Sebastian (Eanna Hardwicke), Grey (Brandon Grace) ser um bruxo de sangue não fez nem cosquinha no plot, que já continuava sem muita emoção. Além disso, até o fim, não sabemos qual é a de Beatrix (Sadie Soverall), que termina sua história da mesma forma que entrou: confusa e praticamente irrelevante.


Mas vale ressaltar também que até pontos interessantes ficam sem sentido graças aos já mencionados buracos no roteiro. Um ponto muito importante foi a morte de Andreas (Ken Duken), por Sky (Danny Griffin). O acontecimento é narrado apenas como uma lembrança para Bloom e isso é inacreditável. Um dos personagens mais ricos da série é assassinado assim, pelo próprio filho, e tudo só é contado como se fosse um inconveniente de uma batalha. Sem contar na própria Beatrix, que trata do assunto ironicamente, falando para Sky que ele "matou o pai dela", assim como alguém acusa outra pessoa de colar na prova.


Outra morte que acontece do nada é de Rosalind. Bloom chega a ser condenada pelo seu ato, mas a maioria da população acha que os responsáveis foram os bruxos de sangue, assim como foi dito pela rainha Luna (Kate Fleetwood). Então, como explicam o fato de Bloom ter sido congelada? E ainda, como lidam quando ela é solta pela já falecida diretora Farah Dowling (Eve Best), que vai dar uma passadinha no mundo dos vivos para salvar o dia... É simplesmente absurdo quando a gente para para analisar cada ponto deste roteiro.


Mistério de Bloom não torna personagem interessante


"Fate" se concentra em Bloom e sua busca incansável por respostas pelo seu passado. Ao final, Sebastian entrega o que a ruiva procurava e até coloca a série rapidamente de volta ao rumo. Acontece que Bloom, na verdade, é filha de uma bruxa que tinha o mesmo poder que ela e que optou por congelar a protagonista, ainda bebê, quando percebeu que a Chama do Dragão era mais uma maldição do que benção. Então, Bloom nasceu há milhares de anos. Vai, isso foi bem legal.


Só que nem chega perto de mudar o fato que a protagonista é insuportável. Imatura, mimada, chata, sem sal... Vive se gabando por ter a Chama do Dragão, mas não possui nem 10% da maturidade necessária para usá-la, diferente de suas amigas - que sempre sabem o que fazer para salvar a ruiva das suas burradas. Mesmo que isso aconteça em uma cena aleatória, em que Stella (Hannah van der Westhuysen), Aisha (Precious Mustapha) e Terra (Eliot Salt) se transformam, com direito a efeito especial zoado, que mais faz lembrar um clipe de baixo orçamento.


O que salva "Fate: A Saga Winx"?


Agora você pode estar se perguntando: Luísa, por que você assistiu essa série tão ruim? Vou te explicar. No começo, "Fate" é até legal e promete se recuperar dos problemas, que já foram vistos na 1ª temporada. O fracasso acontece na parte final, após a revelação da verdadeira identidade de Sebastian.


Mas, por outro lado, os outros personagens conseguem tornar a série assistível até com todos os defeitos do enredo. Foi legal ver Aisha se abrindo para o amor, assim como Terra descobrindo quem realmente é. A chegada de Flora (Paulina Chávez) também é um ponto positivo, deixando a saída de Sam (Jacob Dudman), irmão de Terra e namorado de Musa (Elisha Applebaum) quase imperceptível.


Por falar em Musa, ela é uma personagem que já gosto, e acredito que brilhou na 2ª temporada. A fada das mentes parece estar pronta para assumir que não curte o seu poder e não quer viver com esse fardo, mostrando-se útil como especialista. Além disso, a aproximação de Musa e Riven (Freddie Thorp) foi bem interessante e, com certeza, veremos mais coisas por aí.


Para concluir, digo: com todos os defeitos, acho que assistiria uma 3ª temporada - mas espero que "Fate" não se alongue muito além disso.