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Crítica: Alma, série da Netflix, tem suspense equilibrado com drama

Alma estreou na Netflix nesta sexta-feira (19) com nove episódios. A série é descrita como um thriller sobrenatural com horror, e ela entrega bem o que promete nesse quesito. Com algumas cenas pontuais de violência de virar o rosto, um suspense de te fazer roer as unhas e muitas reviravoltas, a trama traz Mireia Oriol no papel da personagem-título.


Após um acidente de ônibus com seus colegas de classe, Alma perde todas as suas memórias. Enquanto luta para recuperar sua identidade, ela e os sobreviventes passam a ver aparições e descobrem que estão envolvidos num ritual macabro para ressuscitar uma entidade sobrenatural.


Inicialmente pensei que fosse uma minissérie isolada, então fica aqui o aviso: a season finale deixa algumas pontas abertas (e muita expectativa) para uma próxima temporada. Se a dona Netflix vai renovar Alma são outros quinhentos, já que estamos num mundo em que Neil Gaiman está mendigando por views em Sandman.

Cada episódio inicia com a narração de uma lenda e acontecimentos aparentemente desconexos, até amarrar tudo no final, e eles também se encerram com cliffhangers bem-feitos para manter o espectador interessado na história até o fim. Os pontos altos de Alma são as relações humanas: acompanhar o relacionamento de Alma com sua irmã Lara é muito interessante, e o mesmo pode ser dito de quase todas as interações amorosas, familiares ou amigáveis da série.


Ela terminou entregando um drama não muito exagerado, mas bem comovente, que me surpreendeu e agradou bastante. Além disso, teve uma variedade nos casais de Alma que eu não esperava, com relacionamentos tanto héteros quanto homoafetivos aparecendo em cena e sendo igualmente importantes para o enredo.


Um defeito da grande quantidade de casais e personagens em Alma é que, com tanta gente na história, é complicado dar o tempo devido a cada uma das pessoas para que gere empatia. Alma, por ser a protagonista, consegue a atenção que merece, mas ainda assim muitos coadjuvantes ficam de lado e, quando acontece algo crítico com eles, fica difícil realmente se importar com o destino da personagem.


Outra falha do roteiro é que ele é conveniente demais às vezes. Thriller em geral tem suas próprias convenções, assim como qualquer gênero narrativo, mas Alma em alguns momentos parecia esconder determinada informação para revelá-la apenas no instante mais chocante, de uma maneira que dava até a sensação de traição ao telespectador.

Foto: Divulgação

A história também ficou excessivamente expositiva nas cenas de explicação, quando não havia necessidade para tanto. Isso aconteceu principalmente ao explicar os rituais, e ficou especialmente gritante na cena (spoiler!) em que Alma transita por suas memórias. Era possível deixar essa cena “limpa”, focada apenas na atuação ótima da Mireia Oriol, só que o voice-over entregando tim-tim por tim-tim da história estragou a possível carga de tensão do acontecimento.


Algumas pessoas podem ficar satisfeitas com isso, já que não resta sombra de dúvidas quanto ao funcionamento da história, mas na minha opinião isso é um grande indicador de pobreza narrativa. Essa explicação poderia ser feita nos flashbacks do começo de casa episódio, ou exposta de forma mais “orgânica” com o livro dos rituais, num gesto que lembraria a tapeçaria cheia de spoilers que aparece no meio de Midsommar (2019).


Contudo, devo reconhecer que os nove episódios de Alma engajam bem, mantendo o clima de suspense até o último momento. Mas é melhor ver a série sem expectativas para apenas curtir a história e aceitar o roteiro raso e conveniente. Quem é fã de thrillers vai sacar a trama sem demora por conta das convenções de gênero, mas as relações humanas podem sustentar o interesse até o final — foi justamente isso que aconteceu comigo.


Alma também é uma boa opção para quem tem medo de terror em geral e quer ver algo mais "leve", ainda que fora da sua zona de conforto — é só olhar para o lado quando vierem as (poucas) cenas mais “pesadas” e curtir a parte mais investigativa, cheia de mistérios.



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1 Comment


Rafael Igor
Rafael Igor
Sep 04, 2022

Oi

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