5 "revoluções" da Sulli do f(x)

Hoje é aniversário da Sulli, atriz e cantora integrante do girl group de k-pop f(x). Ela completaria 27 anos nesta segunda-feira (29). Sulli ficou muito conhecida por bater de frente com preconceitos e levantar bandeiras de pautas sociais numa indústria em que poucos artistas têm coragem de fazê-lo. Mesmo após sua partida, Sulli é ainda muito relevante e uma precursora em desmistificar a imagem de celebridades para torná-las mais humanas. Por isso, nossa homenagem nesta data é relembrar alguns dos grandes feitos da Sulli para mostrar sua importância em quebrar questões ultrapassadas do k-pop e da sociedade sul-coreana.


Sulli sempre foi aberta sobre sua saúde mental

Foto: Reprodução

A importância da saúde mental é um assunto muito debatido até hoje, seja no Brasil ou na Coreia do Sul. (O que é uma pena porque a gente não tem vergonha de ir no dentista quando sente dor na boca, né? Mas são outros 500 na hora de buscar terapia ou ir no psiquiatra…) A Sulli rompeu com esses padrões ao falar abertamente sobre seu diagnóstico de depressão e ansiedade.


Ela nunca escondeu do público o sofrimento que sentia com determinadas situações que idols devem (supostamente) aguentar em silêncio, como comentários inconvenientes ou ódio gratuito. Na época de lançamento do álbum Red Light (2014), Sulli se ausentou das promoções por causa de comentários e rumores maliciosos, deixando claro que não aceitava tal tratamento.


Nos últimos anos, mais artistas de k-pop têm falado publicamente sobre essas questões, o que é uma mudança ótima porque incentiva pessoas “comuns” a reconhecerem seus próprios problemas psicológicos e notarem quando a terapia é necessária. Vale lembrar: sim, a vida no estrelato pode dificultar muito a saúde mental dos famosos, mas mais do que usar o discurso “olha como o k-pop é ruim”, é preciso refletir sobre o tratamento rigoroso de celebridades em geral — afinal, ninguém fala que Hollywood matou Robin Williams ou algo do tipo, né?


Ela rebatia comentários maliciosos na Internet

Foto: Reprodução

A Coreia do Sul tem um sério problema com a proliferação de comentários falsos e maliciosos na Internet, e a lei nacional não prevê nenhuma pena para tal ato. Um levantamento da Comissão de Direitos Humanos do país descobriu que 64% dos entrevistados já sofreram com discurso de ódio na Internet, e celebridades são ainda mais vulneráveis ao ódio nas redes.


A Sulli sempre respondeu publicamente comentários maliciosos, e até participou de um programa de TV para lidar com os rumores que compartilham na Internet. Ela era a participante mais jovem do elenco do The Night of Hate Comments, mas também a mais aberta e autêntica na hora de rebater rumores.


Engajamento com pautas feministas

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Sulli sempre manifestou nas redes sociais o apoio ao movimento feminista, o que foi visto por muitos tradicionalistas como um “ato de rebeldia” (vai entender, né). Ela nunca hesitou em se expressar e, com frequência, postava fotos espontâneas no Instagram. O que chamava a atenção de muitos, no entanto, eram as imagens de Sulli sem sutiã. Ela parou de vestir a peça de roupa por escolha própria e constantemente precisava explicar sua decisão.


Em um programa de TV, ela declarou uma vez em resposta aos comentários maliciosos sobre não usar sutiã:


Minha escolha tem a ver com a liberdade individual. Sutiã não é bom para a sua saúde por causa do arame. Eles podem afetar seus órgãos digestivos, e eu tenho muitos problemas com eles. Eu não uso sutiã porque acho mais confortável assim, é algo lindo e livre.”

Saiba mais: Sutiã: uma peça (nem um pouco) íntima


Honestidade na hora de falar da vida pessoal e de namoros

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Pode parecer coisa pequena, mas a Sulli ser extremamente aberta quanto a seus relacionamentos foi um marco no k-pop. É comum artistas esconderem namoros porque eles quebram a ilusão de que os fãs têm algum direito sobre os idols (sim, isso é muito problemático). Quando Sulli foi flagrada de mãos dadas com Choiza, a primeira reação da SM foi negar o namoro. Depois de algumas fotos impossíveis de defender, a assessoria confirmou o relacionamento dos dois.


Algo que deveria ser tão simples se tornou um choque: Sulli tinha uma imagem inocente aos olhos do público, e a descoberta do namoro serviu para mostrar que — bom — ela é um ser humano como outro qualquer. Para completar a receita para polêmicas desnecessárias e manchetes maldosas de jornais, Choiza é 14 anos mais velho que Sulli e faz parte da dupla de hip hop Dynamic Duo, então o rapper tem uma imagem mais negativa estilo “bad boy”.


Essa honestidade da Sulli em compartilhar sua vida com os fãs e mostrar que ela é uma menina comum ajudou a quebrar essa aura de idol intocável, e Sulli passou a ter um ar mais autêntico por não se preocupar em esconder sua vida, sendo também honesta consigo mesma nesse processo.


Defender a autonomia da mulher

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No k-pop, uma artista feminina pode ser atacada por simplesmente usar uma camisa com os dizeres “todas nós devemos ser feministas” — sério, esse caso é tristemente real. Mas Sulli foi além com sua coragem e sinceridade, defendendo pautas feministas publicamente. Ela várias vezes declarou que as mulheres deveriam ter direito de tomar suas próprias decisões e se autointitulou pró-escolha.


Em 2019, Sulli comemorou nas redes sociais quando a Coreia do Sul mudou a lei que proibia o aborto no país e que podia até mesmo prender a mulher e o médico caso pegos em flagrante. Uma notícia legal: a partir de 2021 o aborto foi legalizado na Coreia do Sul para todas as mulheres no estágio inicial da gestação! Na época em que Sulli comentou a mudança, a lei passou a permitir a interrupção apenas para casos de estupro ou risco da mãe.



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