5 mulheres indígenas inspiradoras para conhecer

Quando falamos de mulheres, nós falamos de resistência e força. Nossas primeiras guerreiras estão na luta muito antes do que costumamos imaginar. Com muitas de suas histórias apagadas, as mulheres indígenas permanecem ao longo dos anos lutando por direitos e contra a invisibilidade.


Arte: La Minna

No dia 9 de Agosto comemora-se o Dia Internacional dos Povos Indígenas e nós queremos te apresentar algumas mulheres inspiradoras que vale a pena conhecer e acompanhar. Pois acredite, elas tem muito o que nos ensinar sobre a vida e principalmente sobre luta.


Nós inclusive, já fizemos uma lista parecida como esta indicando 6 nomes indígenas para ler, ver e ouvir. Confira clicando aqui!


Célia Xakriabá


Professora, ativista, poeta e pioneira. Célia Xakriabá, do norte de Minas Gerais, é a primeira mulher a concluir um mestrado, fazer doutorado e assumir um cargo público representando os indígenas em seu estado na Secretaria de Educação do Estado. Está desde os 13 anos de idade na luta do movimento indígena buscando construir “processos de educação diferenciada e participativa não apenas para, mas com os povos indígenas”.


"Ser mulher indígena é, sobretudo, nascer nessa resistência de luta sem ter tempo nem medo. Diante de um genocídio de mais de cinco séculos, que nunca termina, ser mulher indígena e estar na luta não é exatamente uma escolha pelo ativismo, mas é um ato de resistência. Quando temos que escolher entre ter medo e continuar lutando pela vida, a luta pela vida é o que move essa resistência de ser mulher indígena." disse em uma entrevista para o site YAM.

Foto: Leo Lara

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Daiara Tukano


Artista plástica, Daiara Tukano levou a pauta indígenas para diferentes espaços. A Marcha das Vadias no Distrito Federal e Marcha Mundial das Mulheres, foi uns dos lugares onde sua presença manteve presente o debate sobre os povos indígenas. Além disso, sua arte, sempre com fortes referências de seu povo, estampa grandes avenidas. É integrante do povo Tukano (espalhado entre o Amazonas, partes da Colômbia e da Venezuela) e mestranda na Universidade de Brasília (UnB), onde pesquisa a inclusão do conteúdo indígena no ensino no Brasil.


"O índio não existe. A ideia de índio como uma coisa só não corresponde à realidade. Somos mais de 325 povos, falamos mais de 180 línguas, espalhados por todo o território nacional. Somos civilizações à parte, com identidades, histórias e culturas únicas. Toda essa diversidade não cabe na palavra “índio”. É preciso desconstruir esse preconceito que coloca o índio como uma coisa pasteurizada." disse no evento ColaborAmerica.

Foto: Bárbara Lopes/O Globo

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Joênia Wapixana


Joênia Wapixana é a primeira mulher indígena eleita como Deputada Federal no Brasil, com 8.491 votos no estado de Roraima. A decisão de se candidatar veio a partir do momento em que percebeu a atual situação política sobre a situação dos povos indígenas no Brasil. O pioneirismo faz parte de sua vida, afinal além de ser a primeira deputada federal, foi a primeira mulher indígena a se formar em direito no país. Joênia é da comunidade indígena Truaru da Cabeceira, região do Murupu, município de Boa Vista, pertence o povo indígena Wapichana, o segundo maior povo do estado de Roraima.


"Os direitos das mulheres eu sempre coloquei nas minhas falas, que nós mulheres temos que estar unidas porque temos questões específicas, nós temos questões que só nós sabemos. A mulher tem aquela sensibilidade, a palavra da mulher é sagrada. Nós, mães, mulheres, quando tem alguma coisa para repartir na mesa, sabemos dividir muito bem pra todos que estão na mesa. Muitas vezes a gente deixa de comer para dar para um filho. Essa necessidade de repartir e compartilhar é que está faltando na política." disse em entrevista para a Funai

Foto: A força delas

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Naíne Terena


Usando o meio acadêmico para discutir o papel dos indígenas como protagonistas na educação e na comunicação, Naíne Terena tem um currículo recheado. É graduada em Rádio e TV pela Universidade Federal do Mato Grosso, mestre em Artes pela Universidade de Brasília, doutora em Educação pela PUC-SP e pós-doutoranda na UFMT no laboratório de Estudos sobre a informação e comunicação na educação. Ela iniciou um projeto chamado "Projeto Territórios Criativos Indígenas: arte e sustentabilidade", com atividades de pesquisa e capacitação em quatro comunidades indígenas de Mato Grosso, com o intuito de projetar estratégias de sustentabilidade e geração de renda geridas pelas próprias comunidades.


"Existe um interesse enorme dos povos indígenas de se apropriar do registro da narrativa, seja por livro, por filme, no rádio. Além de resguardar o conhecimento, isso nos dá voz. Assim, ninguém distorce nossa fala." disse para o site Memória EBC

Foto: Leopoldo Silva

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Valdelice Véron


Na linha de frente na luta pela demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul, está Valdelice Véron. Ela é uma das principais lideranças Guarani Kaiowá, povo que vive hoje em apenas uma fração de seu território original, divididos entre reservas superlotadas e acampamentos à beira da estrada. Valdelice encontrou coragem e determinação para lutar após presenciar o pai ser morto, irmãos algemados, mulheres violentadas e crianças abandonadas no meio da estrada. Ela que é graduada em Ciências Sociais na Universidade Federal da Grande Dourados e mestra em sustentabilidade dos povos e terras tradicionais pela Universidade de Brasília.


"Estou há anos na luta para fazer o papel falar. Tudo que escrevo é verdade e está aí para quem quiser ler. Enquanto permanecer viva, continuarei a documentar e denunciar o que fazem conosco. A nossa luta ontem e hoje é por terra, vida, justiça e demarcação." disse em entrevista para Voz da Experiência

Foto: Arquivo Pessoal

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