5 lições que "Avatar: A Lenda de Aang" ensinou sobre desconstrução

Avatar: A Lenda De Aang é um clássico para as fãs de carteirinha dos desenhos da Nick. Apesar de não ter uma protagonista mulher (sorte que A Lenda de Korra, que nós amamos muito, compensou isso), é impossível não enaltecer essa animação pelo menos uma vez aqui no Telas, né? Avatar marcou a infância de muita gente não só pela história bem elaborada de aventura, como também pelas mensagens e representatividades muito significantes. Nós selecionamos cinco aspectos de Avatar que podem parecer pouca coisa, mas que impactaram várias fãs pelas histórias revolucionárias.


As guerreiras Kyoshi

Foto: Reprodução

Um grupo de mulheres lutadoras que usam leques. Preciso dizer mais algo? A introdução de Sokka às guerreiras Kyoshi ilustra bem qual é a primeira impressão de muita gente quando conhece a cultura das combatentes: subestimá-las por não portarem de “armas de verdade” e serem mulheres.


As guerreiras Kyoshi se aproveitam de qualidades tidas como femininas e frágeis (como maquiagem, por exemplo) para implementar seu estilo de batalha extremamente estratégico e mais controlado do que a tal da “força masculina”. Elas pensam: quais são as chances de sermos mais “fortes” que nossos adversários? Beleza, se não são muitas então venceremos na surpresa e usando a potência deles contra si mesmos.


Aang como herói

Foto: Reprodução

Aang é um vegetariano pacifista criado por monges. Sua luta contra Ozai, senhor do fogo, deve ser o ápice da história na terceira temporada, já que, desde o início da trama, aprendemos que o dever de Aang como o Avatar é derrotar o tirano e restaurar a paz do mundo. E então, tantos episódios depois, chegamos ao desfecho: o duelo entre o herói e o vilão. O que esperamos? Muito soco, chute, dobra. Fogo para lá, ar, água e terra para cá.


O que ganhamos? (Spoiler) Uma disputa mental em que Aang remove a dobradura de fogo de Ozai. Aang não assassina Ozai, como todo mundo tanto esperava. Aang é o protagonista, o herói do desenho, mas não age de maneira estereotipada. Ele é valente, mas não é agressivo. Ele prefere ser paciente, ser um diplomata em tempos de guerra, o que quebra todas as expectativas sobre “homens masculinos”.


A jornada de Sokka

Foto: Reprodução

Katara e Sokka acordam Aang de seu sono de 100 anos só porque a menina fica irritada com um comentário machista de seu irmão. Sério. Sokka assume o posto de alívio cômico do desenho, e rimos muito às suas custas (como, por exemplo, quando ele é derrubado pelas guerreiras Kyoshi após subestimá-las por serem mulheres).


Só que, no meio do caminho, depois de tantas tropeços e puxões de orelha, ele vai aprendendo a deixar de ser tão machista. Sokka aprende a arte das guerreiras Kyoshi, ouve as críticas plausíveis de Katara e os feedbacks de Suki. Ele ainda dá uns escorregões, mas ninguém passa pano para ele. O processo de desconstrução é assim: tem altos e baixos, e não se pode ser soberbo.


A dualidade de Katara

Foto: Reprodução

Você tem, de um lado, a Katara decidida que questiona padrões machistas. De outro, uma Katara emotiva que gosta de incentivar as pessoas e acalmar os ânimos com discursos sentimentais. As duas faces de Katara são bem conhecidas no universo de Avatar: afinal, ela desafiou um mestre de água no Polo Norte, e foi retratada na peça sobre Aang da Nação do Fogo como uma idealista cheia de monólogos.


Mas nós devemos parar um instante, pelo menos, para apreciar isso. Katara é definitivamente uma personagem mulher forte, e ninguém pode negar isso. Ela é habilidosa com a dobra d’água e uma boa pessoa. Em vez de abraçar o “girl power” e transferir característica por característica de modelos supostamente empoderados baseados em homens, Katara é multidimensional e demonstra, ao longo de Avatar, tanto sua potência quanto suas fraquezas e temores.


A Toph — é, é basicamente isso

Foto: Reprodução

Vamos começar do começo: Toph é cega. Ela é uma criança. Ela é mimada e super protegida. A “bandida cega”, conhecida como uma das dobradoras de terra mais experientes da nação, é simplesmente uma menina. A mensagem está ali para todas verem: a menina cega pode ser fodona.


E é fantástico que Avatar mostra a faceta poderosa de Toph, mas ainda condiz com o contexto da personagem e a retrata como extremamente fresca às vezes, uma vez que ela é uma das mais ricas e de vivência confortável do núcleo principal. Em um mundo onde deficiências são ainda encaradas com preconceito (presta só atenção na sua linguagem capacitista chamando pessoas de cegas quando elas são lerdas, por exemplo), ter uma personagem tão poderosa com deficiência é uma inclusão (infelizmente ainda) inesperada.

____

Listas semanais com dicas selecionadas sobre filmes, séries, músicas, livros e peças teatrais. É nessa categoria que você descobre sugestões do que assistir nas plataformas de streaming ou o que fazer em um dia atoa em casa.